Chanceler argentino viaja ao Brasil para diminuir tensão entre presidentes
Para tentar diminuir a tensão entre Brasil e Argentina após o atrito entre Alberto Fernández e Jair Bolsonaro, o ministro das Relações Exteriores argentino, Felipe Solá, viaja ao Brasil para um encontro com Ernesto Araújo, marcado para acontecer nesta quarta-feira no Palácio do Itamaraty.
Fontes indicam que a reunião será seguida por um encontro entre os dois líderes. Na semana passada, Bolsonaro afirmou que estava “pronto” para receber Fernández. Os dois têm mostrado há meses diferenças ideológicas.
Solá buscará “transmitir os eixos e objetivos” do governo argentino, e afirmar a mensagem que o peronista lançou em sua posse sobre “vontade de construir com o Brasil uma agenda ambiciosa, inovadora e criativa nas áreas tecnológica, produtiva e estratégica”.
Apesar da recente declaração de Araújo sobre o Mercosul, onde ele duvidava sobre “a utilidade do bloco”, os ministros tentarão ampliar a integração regional e o fortalecimento do grupo.
As tensões entre os presidentes tiveram início durante a campanha eleitoral na Argentina, em que Bolsonaro apoiava a reeleição de Macri. O brasileiro não parabenizou Fernández pela vitória, e ameaçou não enviar nenhum representante brasileiro à sua posse. Logo depois, Bolsonaro recuou e enviou Hamilton Mourão para a cerimônia.
Antes do pleito argentino, Bolsonaro chamou Fernández e sua vice-presidente, Cristina Kirchner, de “bandidos de esquerda”. Fernández rebateu, chamando o brasileiro de “racista”.
“Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com o Bolsonaro. Estou muito feliz por ele falar mal de mim. Ele é um racista, um misógino, um homem violento”, disse Fernández em novembro, embora pouco tempo depois tenha preferido baixar o tom.
No fim de 2019, uma conversa por telefone entre Solá e Araújo pareceu ter acalmado os ânimos.
* Com EFE
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