Chuva em SP ‘extrapolou todo e qualquer modelo de cálculo’, diz secretário de Infraestrutura
O maior temporal para o mês de fevereiro em 37 anos que atingiu São Paulo de domingo, 9, a segunda-feira, 10, deixou sequelas – e algumas lições – para o Estado.
Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Governo do Estado, Marcos Penido afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã que o volume de chuva que atingiu São Paulo “extrapolou toda e qualquer medida”. “O modelo de cálculo de drenagem prevê um tempo de recorrência de 100 anos. O modelo dessa chuva, em função do período que ocorreu, chegou em um modelo de ocorrência de quase 200 anos”.
O secretário do governador João Doria rebateu as reportagens que acusavam o governo de não utilizar toda a verba que deveria ser destinada ao combate às enchentes. “O que nós recebemos para manutenção de enchentes foi executado. Os recursos para drenagem e desassoreamento foram consumidos integralmente, inclusive, no final do ano, conseguimos uma verba excedente para manter o desassoreamento do Rio Tietê. Precisa colocar dentro de dotação [verba] de infraestrutura a parte de abastecimento, tratamento de esgoto e combate a enchentes. No orçamento do ano passado, a parte de desassoreamento foi completamente utilizada.”
Penido atribuiu a célere recuperação das áreas afetadas pelos estragos ao trabalho em conjunto dos poderes estadual e municipal. Segundo ele, o Palácio dos Bandeirantes está trabalhando junto ao secretário Victor Aly, responsável pela pasta municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, e ao secretário municipal de Subprefeituras, Alexandre Modonezi.
“Ficamos o tempo todo trabalhando juntos, tanto que depois de tudo que aconteceu, com todos os estragos, em menos de 24hs a cidade estavam funcionando novamente. As marginais estavam liberadas e já se conseguia ter uma locomoção. Claro que existe o rescaldo e ele foi contínuo. Lembrando que é uma chuva que extrapola toda e qualquer medição que nós já tivéssemos passado”.
Ponto já abordado pelo prefeito Bruno Covas após o temporal, os piscinões foram novamente elogiados pelo secretário. Para ele, buscar soluções como a construção do maior piscinão do Estado, o Jaboticabal, que passa pelos rios Couros, Olaria e Meninos, próximos aos ABC Paulista, e o projeto que visa trabalhar a várzea do Rio Tietê, na região do córrego Três Pontes, em Itaquaquecetuba, é fundamental. “Temos que buscar projetos concretos, buscar as alternativas. São obras caras, de períodos longos de execução, não são simples de executar. Esse próprio piscinão de Jaboticabal, são 36 meses. É correr atrás e buscar as alternativas. Infelizmente, às vezes, como aconteceu na prefeitura, há um hiato nos grandes programas. Tem que se retomar o processo”.
Sistema de bombeamento
Outro ponto questionado após os alagamentos foi o sistema de bombeamento das marginais, que teria funcionado apenas no fim da tarde de segunda-feira. Penedo explica que há dois tipos de bombas distintas – uma que coloca água no rio, e uma que retira.
“O sistema de bombeamento que entrou no final do dia é o que joga a água dos bairros dentro do Rio, não é o bombeamento do rio”. Segundo ele, em alguns pontos baixos dos bairros da região da marginal Tietê a água não consegue chegar ao Rio, e fica armazenada em um reservatório embaixo da Ponte das Bandeiras. Como o rio extravasou, não havia o que ser bombeado.
“A partir do momento que o rio baixou, voltou para sua calha, o bombeamento automaticamente entrou, e a água que estava nas pistas e nas marginais foi bombeada para dentro do Rio”. O bombeamento que ajuda a abaixar o nível do Rio é o da usina Rio USP e da Usina Pedreira. “Esse bombeamento ajuda, e começou a operar desde as 2h52 da madrugada de domingo pra segunda. As três primeiras bombas de Pedreira entraram de madrugada, a quarta às 7h da manhã, puxando 380 mil litros por segundo, e a usina de traição Rio USP puxando 280 mil litros por segundo. Esse é o bombeamento que ajuda o Tietê baixar. O bombeamento ao longo do Tietê não serve pra tirar a água do Rio, ao contrário, é para jogar água dentro do Rio.
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