Comissão dos Homens criada em subseção da OAB gera reação de advogadas
A criação da Comissão dos Homens Advogados na 125ª Subseção da OAB em Santana, bairro da zona norte de São Paulo, tem gerado surpresa e debate entre os membros da Ordem. Anunciada com o objetivo de “erradicar o estupro e violência doméstica”, além de alertar para os “cuidados com a saúde dos homens advogados e com a família brasileira”, o anúncio gerou indignação das mulheres da área. Um manifesto contra a criação do grupo já tem o apoio de cerca de 200 advogadas e advogados de todo o país. Os críticos apontam que a Comissão dos Homens não apresenta propostas inovadoras e pode ser interpretada como uma forma de concentração de “poder, segregação e silenciamento das mulheres” dentro da instituição. Além disso, salientam que já existe uma comissão desta natureza “com raízes históricas e sociais sólidas” — a Comissão da Mulher Advogada. “A mulher historicamente não ocupa espaço de direção. Essa iniciativa não é uma criação inovadora. A Comissão da Mulher discute o empoderamento e igualdade, além do combate à violência contra as mulheres. Os homens podem participar ativamente dessa comissão e, por isso, acreditamos que essa iniciativa divide, segrega e diminui a luta e o trabalho que já vem sendo feito. Se cada homem fizer seu papel neste âmbito já teremos avanços concretos”, manifestou-se Ana Carolina Barranquera, uma das líderes da moção de repúdio. O coletivo criado na subseção de Santana considera que todas as manifestações favoráveis e contrárias à sua criação são democráticas.
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