Fronteira entre Brasil e Venezuela tem dia calmo após onda de protestos
Após dias de protesto, a cidade de Paracaima, em Roraima, única fronteira oficial entre Brasil e Venezuela, teve uma quarta-feira calma. A tensão entre os moradores se elevou devido a um suposto estupro cometido por um venezuelano a uma jovem brasileira.
Durante a semana, a população queimou objetos e bloqueou estradas. A Polícia Federal e o Exército tiveram que ir até o local.
Nos últimos anos, Paracaima se tornou a porta de entrada de venezuelanos que fogem da grave crise econômica, social e política pela qual passa o país. O fluxo migratório não para – somente nesta quarta, a fila da imigração chegou a 100 metros. Autoridades brasileiras vistoriavam minunciosamente todos os carros.
As manifestações começaram na noite da última sexta, após a noticia do suposto estupro de uma estudante indígena de 15 anos por um cidadão venezuelano noticiada pelo jornal Folha de Boa Vista.
Nos dias seguintes, manifestações e bloqueios tomaram as ruas de Paracaima e Boa Vista, causando até mesmo o fechamento dos comércios. Os manifestantes reclamam da falta de segurança na região, e exige medidas do governo a respeito.
“A população está farta de tudo o que acontece nas ruas, da violência, dos roubos, da sujeira… É normal, mas não justificam os surtos de violência”, disse o padre Jesús de Bobadilla, que oferece ajuda humanitária aos migrantes venezuelanos que chegam a Pacaraima.
O vice-presidente Hamilton Mourão deve viajar a Roraima nesta quinta-feira para visitar abrigos temporários onde venezuelanos estão instalados. Essa não é a primeira vez que incidentes violentos são registrados na cidade. Em 2018, moradores da cidade atacaram acampamentos venezuelanos e queimaram seus pertences.
Após a confusão, mais de 1.200 venezuelanos retornaram ao seu país de origem, e o governo resolveu reforçar as suas medidas humanitárias.
O governo brasileiro realiza há dois anos no local a Operação Acolhida, inciativa apoiada por agências internacionais que oferece apoio aos venezuelanos que chegam ao país. Segundo a ONU, mais de 4 milhões de pessoas deixaram a Venezuela e partiram para outros países desde 2015. Esse é um dos maiores fluxos migratórios do planeta.
* Com informações da EFE
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