Helicóptero que levava Boechat caiu por causa de falhas de manutenção, diz relatório
Um relatório divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB) nesta quinta-feira, 29, afirmou que a queda de helicóptero que matou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci na Rodovia Anhanguera, em fevereiro de 2019, foi causada por uma sequência de falhas ocasionadas por falta de manutenção. O documento, que detalha o processo de perícia nos equipamentos da aeronave após a queda, também concluiu que apesar de ter habilitação de helicóptero e certificado médico válido, o piloto da aeronave não estava qualificado para cumprir o tipo de voo de táxi aéreo.
Além da falta de qualificação do piloto para o táxi aéreo, o documento apontou que a empresa responsável pelo helicóptero não era autorizada a operar com transporte remunerado de passageiros, tendo permissão apenas para operação de aeroreportagem, aerofotografia e aerocinematografia. Segundo o relatório, algumas das falhas foram registradas no compressor da aeronave, que passou mais de 31 anos sem atualização ou troca completa, tendo registrado manutenção adequada apenas no ano de 1988. Na série de fatores listados como contribuintes para a queda, além da falta de manutenção do compressor, estão a conduta da empresa de operar como táxi aéreo sem ter permissão para fazê-lo, a avaliação inadequada por parte do piloto no momento do pouso de emergência e a falta de manutenção da aeronave. A FAB aponta ainda diversos pequenos defeitos em equipamentos do helicóptero foram detectadas pela perícia, como falha em um rolamento por “fluxo insuficiente de óleo de lubrificação” e demoras sucessivas na troca de óleo do motor.
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Relembre
O jornalista Ricardo Boechat estava na aeronave quando o piloto tentou fazer um pouso de emergência em um acesso do Rodoanel para a Anhanguera, em São Paulo. O acidente aconteceu em fevereiro de 2019. Boechat tinha 66 anos e era um dos jornalistas mais tradicionais da TV brasileira. Ele atuava como âncora de telejornais da Band e na rádio BandNews FM.
Boechat nasceu em Buenos Aires, na Argentina, e iniciou sua carreira na década de 1970, trabalhou em jornais como Diário de Notícias, onde começou, O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e O Dia. Na década de 1990, teve uma coluna diária no Bom Dia Brasil, na TV Globo, e também trabalhou no Jornal da Globo. O jornalista já atuou no SBT e como colunista da revista Istoé. Três vezes ganhador do prêmio Esso, ele foi recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se, com dezessete troféus. Boechat foi o único a ganhar em três categorias diferentes: Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV. Em 1998, lançou o livro Copacabana Palace – Um hotel e sua história, pela editora DBA.
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