Instituto de Física da USP sobre alunos em greve: ‘Ou voltam às aulas ou perdem o semestre’
A diretoria do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) emitiu um comunicado alertando que os alunos em greve podem perder o semestre letivo se não retornarem às aulas na segunda-feira, 25. No caso dos calouros, a continuação da greve implicará no cancelamento das matrículas. O ultimato foi publicado no canal oficial do Instituto em rede social.
Segundo o comunicado, na próxima semana os alunos completarão cinco semanas de paralisação. “Com a continuidade da paralisação das aulas de graduação e a falta de perspectiva ou sinalização de mudança do calendário escolar, haverá a perda do semestre letivo e com isto os calouros terão suas matrículas canceladas, perdendo o vínculo com a USP”.
O Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (Cefisma) divulgou nota alegando que o tom da mensagem da diretoria é “alarmista” e que há uma negociação com o Conselho de Graduação em andamento.
A reportagem pediu um novo posicionamento à IFUSP sobre a manifestação do Cefisma e ainda aguardava um retorno até a publicação deste texto. Assim que houver resposta, ele será atualizado.
Estudantes da USP estão em greve desde 14 de abril e chegaram a ocupar o prédio da Reitoria, do qual foram retirados pela Polícia Militar na madrugada do último dia 10. A reitoria da USP criou uma comissão de moderação e diálogo institucional para mediar o conflito.
Na nota, a diretoria considera a “grande perda para a formação dos alunos” devido à paralisação e convoca “todos os alunos e professores para o retorno às aulas na próxima segunda-feira, 25/05. Todas as salas de aula e os auditórios do IFUSP estarão abertos e aguardando a retomada das aulas.”
O informe diz ainda que “a Diretoria reafirma seu compromisso com a formação dos alunos e com o diálogo, mas também ressalta que cabe a cada docente, no exercício de sua liberdade acadêmica e responsabilidade didático-pedagógica, definir a melhor condução de suas disciplinas neste contexto”.
Negociação em andamento
O Centro Acadêmico, que representa os alunos, diz que uma sessão realizada pelo Conselho de Graduação na quinta-feira, 21, para aprovar o calendário de 2027, teve a pauta adiada para que se pudesse, antes, tratar do semestre atual, atravessado pela greve
“A representação estudantil reforçou a necessidade de discutir readequação do calendário e abono de faltas para 2026, apresentando pareceres favoráveis de diversos Conselhos de Graduação de unidades e notas de direções nesse mesmo sentido”, diz a nota.
Segundo o Cefisma, a negociação por mediação encaminhou a convocação de um conselho geral extraordinário, após o fim da greve, para tratar especificamente da readequação do calendário acadêmico de 2026. Uma nova reunião de negociação foi marcada justamente para a segunda-feira, 25.
Ainda segundo o Centro Acadêmico, a convocação de retomada de aulas na segunda-feira tem implicações práticas e políticas que precisam ser ponderadas.
“Segunda-feira é dia de negociação entre a reitoria e a representação estudantil. Aderir ao retorno antes desse desfecho equivale a antecipar, na prática, uma decisão que cabe à negociação e à assembleia estudantil. Vale lembrar, também, que a Assembleia da Física está convocada para quarta-feira, 27, e que é a instância soberana dos estudantes do IFUSP, a única que pode manter, alterar ou encerrar a greve no instituto.”
O que os estudantes querem?
Os estudantes da USP têm na pauta de reivindicações um pedido de reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). A universidade anunciou aumento do auxílio permanência de R$ 885 para R$ 912, mas os alunos reivindicam equiparação ao salário mínimo paulista, atualmente fixado em R$ 1.804.
Os grevistas também apontam deficiências em outras políticas de permanência estudantil e relatam problemas estruturais na instituição, incluindo críticas ao funcionamento dos restaurantes universitários.
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