Opas revela preocupação e pede que Brasil aumente testagem para Covid-19
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, afirmou nesta terça-feira, 30, que o Brasil precisa ampliar a testagem para o novo coronavírus a fim de realizar um combate mais eficiente à Covid-19. O órgão também reforçou a necessidade de as autoridades passarem uma mensagem “consistente” à população em meio aos esforços para conter o avanço da doença. “A Opas constantemente pede ao Brasil para aumentar o número de testes. Pede que a mensagem (à população) seja consistente. Se não há uma mensagem consistente, a população se confunde. Isso preocupa a Opas”, alertou Marcos Espinal, diretor do departamento de Doenças Transmissíveis da Opas.
Ciente da necessidade, o Ministério da Saúde pretende testar 24% da população – equivalente a 50 milhões de pessoas. De acordo com o ministro interino, Eduardo Pazuello, a pasta já distribuiu 11,3 milhões de unidades. No início do mês, o interino reconheceu que o País não vai conseguir cumprir a meta original do ministério de 46 milhões de exames até o fim de 2020.
Questionado sobre o fato de o Brasil não ter um ministro efetivo da Saúde desde 15 de maio, quando Nelson Teich pediu demissão, Espinal minimizou a situação. O diretor reafirmou a importância de ampliar a testagem e de realizar uma comunicação clara com a população, além de manter as medidas necessárias mesmo com a reabertura da economia. “Existe um ministro interino, mas não é só isso. O mais importante é que o Brasil tem um exército de trabalhadores dedicados, acadêmicos, médicos, enfermeiros e trabalhadores sociais que ajudam a população. É necessário continuar aumentando os testes. A mensagem deve ser consistente. Mesmo reaberto, o Brasil precisa continuar com as medidas sugeridas”, disse Espinal.
Diretor-assistente da Opas, Jarbas Barbosa chamou a atenção para os riscos de realizar uma reabertura em momento inapropriado, sem reduzir os números da Covid-19. Barbosa também ressaltou a importância de um monitoramento que considere as diferenças entre cada região do país. “Primeiro, é preciso controlar a transmissão. Se começam a reabertura sem isso, vai acelerar a transmissão. Após controlar, aí sim pode reabrir. Se identificar um novo crescimento, precisa tomar as medidas adequadas. Precisa ser Estado por Estado, com o número de casos acumulados. Pois esse número acumulado informa a situação desde fevereiro até agora, para identificar se está crescendo ou se as medidas estão sendo efetivas para reduzir e controlar a transmissão”, explicou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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