Paulo Guedes afirma que é possível ‘consertar’ se Bolsonaro ‘fizer algo que não seja razoável’
Um dia após Jair Bolsonaro admitir que interferiu no reajuste do diesel, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que é possível “consertar” caso o presidente da República faça alguma coisa “que não seja razoável” na Economia. “Uma conversa conserta tudo”, afirmou em Washington, nos Estados Unidos, onde participa de reuniões do FMI e encontros com investidores, economistas e ministros de outros países.
Na sexta-feira (12), Guedes sugeriu que não havia sido informado pelo presidente sobre a decisão. Neste sábado, após insistência de jornalistas, o ministro afirmou que Jair Bolsonaro já disse que não é um especialista em economia e que o presidente deve ter se preocupado com efeitos políticos.
“O presidente já disse para vocês que ele não era um especialista em economia, então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá. Ele, ao mesmo tempo, é preocupado com efeitos políticos, estamos falando em greve de caminhoneiro, esse tipo de coisa, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, disse o ministro da Economia.
Questionado, na sequência, sobre que tipo de mensagem o governo passa ao ceder rapidamente a uma demanda dos caminhoneiros, ele respondeu: “Eu vou me informar. E eu concordo com suas preocupações”.
Segundos depois, já de dentro do carro em frente ao Fundo Monetário Internacional, o ministro chamou os jornalistas para complementar: “Ao mesmo tempo em que eu concordo com suas preocupações e indagações, eu acho que o presidente tem muitas virtudes. Fez muita coisa acertada, e ele já disse que não conhece muito economia. Se ele, eventualmente, fizer alguma coisa que não seja razoável eu tenho certeza que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo”.
A entrevista com Guedes foi feita enquanto o ministro caminhava, de maneira apressada, na saída do FMI. Ele evitou responder às primeiras perguntas sobre o tema. Questionado, por exemplo, se era contraditório que um governo com política econômica liberal tenha feito uma intervenção nos preços de combustível, ele retrucou: “Eu não vou dizer isso que você está pedindo”.
Guedes afirmou que as conversas nos Estados Unidos têm sido importantes e usadas para debater “como é que vão ser as coisas daqui para a frente no Brasil”. “Nós estamos conseguindo reverter uma imagem ruim”, disse Guedes, que afirmou ter se reunido com “excelentes interlocutores”, como a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, com integrantes do Banco Mundial, Tesouro americano, presidente do Federal Reserve e “presidentes dos bancos centrais do mundo inteiro”.
“O Brasil vai progredir rapidamente em vários frontes. Aí tem uma notícia lá embaixo que eu não estava lá e não sei o que houve exatamente. Eu prefiro não comentar, só isso, eu prefiro me informar melhor. Evidente que houve um efeito ruim lá embaixo e estou preferindo trabalhar nos frontes onde eu consigo construir alguma coisa”, afirmou o ministro.
Guedes afirmou ainda que a economia mundial está conseguindo “atravessar um desfiladeiro estreito” e evitar que a crise financeira virasse uma depressão mundial. “Ao mesmo tempo, se a economia estivesse crescendo muito e houvesse uma ameaça de inflação seria terrível, os juros estariam subindo, teria uma desalavancagem forte, teria uma bolha dos bônus estourando. A economia mundial poderia de repente cair num desastre”, disse.
O ministro afirmou que, com a desaceleração moderada da economia mundial, e a volta do crescimento do Brasil, haverá um horizonte de investimentos no País, especialmente em vários setores como petróleo, gás e infraestrutura, com destaque para saneamento. De acordo com Guedes, outros países estão observando o Brasil com enorme interesse.
Com informações de Agência Estado
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