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Saiba o que diz o projeto de lei que transforma falsificação de bebidas em crime hediondo

Medida ganhou força após os recentes casos de intoxicação por metanol no país, que provocaram hospitalizações graves, perda de visão e mortes

Felipe Cerqueira

Câmara dos Deputados
Câmara dos Deputados Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou a urgência para a votação de um projeto de lei que endurece as penas contra a falsificação de bebidas alcoólicas e alimentos. A proposta (PL 2307/07) prevê que a adulteração com substâncias que representem risco à vida ou grave ameaça à saúde seja considerada crime hediondo. Com a aprovação da urgência, o texto poderá ser votado diretamente pelo plenário, sem necessidade de análise pelas comissões. O relator designado é o deputado Kiko Celeguim (PT-SP).

A medida ganhou força após os recentes casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, que provocaram hospitalizações graves, perda de visão e mortes em estados como São Paulo e Pernambuco. Segundo o Ministério da Saúde, já foram registradas 113 notificações em todo o país, incluindo 12 óbitos confirmados ou em investigação.

Atualmente, a pena para falsificação de bebidas é de 4 a 8 anos de prisão. O projeto amplia a punição para 6 a 12 anos de reclusão, além de prever multas severas e possibilidade de fechamento dos estabelecimentos que comercializarem produtos adulterados. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a mudança. “Temos que punir não só quem comete a adulteração, mas também quem comercializa. É preciso avançar com multas severas e fiscalização mais forte”, afirmou em entrevista à CNN.

Medidas emergenciais do governo

Diante do avanço das intoxicações, o Ministério da Saúde montou uma Sala de Situação Nacional para monitorar os casos e reforçar a resposta em tempo real. A pasta também passou a divulgar atualizações diárias sobre o número de ocorrências, a fim de garantir transparência e agilidade nas ações.

Para reduzir o impacto da crise, o governo adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, antídoto contra a intoxicação por metanol, e está em processo de compra de mais 150 mil. O Brasil também pediu apoio internacional para garantir o fornecimento de outro medicamento, o fomepizol, considerado mais eficaz, mas produzido por poucos países. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já foi acionada para fornecer lotes emergenciais.

O ministério orientou estados e municípios a notificarem imediatamente todos os casos suspeitos e reforçou o alerta para bares e distribuidores. A recomendação é que a população desconfie de bebidas vendidas a preços muito abaixo do mercado ou em locais de procedência duvidosa.

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A expectativa da Câmara é votar o projeto em plenário ainda neste mês. Para os defensores da proposta, a mudança na lei é um passo fundamental para punir de forma mais dura os responsáveis e, ao mesmo tempo, sinalizar que a adulteração de bebidas não pode continuar colocando vidas em risco.

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*Reportagem produzida com auxílio de IA