Apostar nas BETS é bom para o país?
Um grupo de parlamentares, no Senado e na Câmara, são favoráveis à regularização das BETS. São deputados e senadores de vários espectros ideológicos, da esquerda à direita, passando pelo centro ou “centrão”. Defendem a movimentação que esse mercado traz para a economia, além do potencial arrecadatório para o governo.
Sem dúvida, diante dos lucros exorbitantes dessas empresas, o potencial de arrecadação é inegável. Mas a pergunta que se faz, sem entrar em aspectos morais é: os benefícios das BETS (arrecadação e dinheiro no mercado publicitário) compensam as consequências negativas geradas para a sociedade?
[cta-selector name=”model2″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/cta_logo_jp_geral.png” text2=”Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]
Um dos efeitos negativos das BETS é a drenagem de recursos de atividades produtivas para apostas. De acordo com o Banco Central, de janeiro a agosto de 2024, pouco mais de R$160 bilhões de reais foram transferidos para as casas de apostas via PIX, sem contar cartão de crédito e de débito. É dinheiro que poderia ser utilizado para consumo de bens e serviços, movimentando toda a economia, com ampla capacidade de geração de empregos para a sociedade.
Os R$160 bilhões de reais também poderiam ser utilizado para investimentos no mercado financeiro. Recursos poupados pela população no mercado de crédito ou de capitais (compra de ações, debêntures, CDB, etc.) são essenciais para financiar o investimento das empresas. Quando uma empresa investe, ela levanta capital (emissão de ações, títulos de dívida ou empréstimos) por recursos poupados no mercado financeiro.
Nesse sentido, o dinheiro poupado pelos brasileiros é essencial para viabilizar o investimento das empresas com taxas de juros mais atrativas (quanto mais recursos, menor o custo de capital). Consequentemente, mais investimento das empresas significa maior crescimento econômico, com impactos significativos na geração de emprego e renda no país.
Além da drenagem de recursos de consumo e de investimentos para as casas de jogos e apostas, outro ponto preocupante é a elevação da inadimplência. Muitos apostadores, além do PIX, utilizam o cartão de crédito, ou obtém empréstimos, para jogar ou apostar. A elevação do endividamento pode ser destrutiva para uma família, com efeitos financeiros (corrosão da renda) e até psicológicos (dependência e divórcio).
Por fim, não se pode descartar que o jogo no Brasil pode ser amplamente utilizado para lavagem de dinheiro. A regularização seria um prato cheio para criminosos justificarem seus ganhos por meio dos lucros em jogos ou apostas.
Diante de todas essas consequências, será que os benefícios tributários gerados para o governo vão compensar todos esses custos sociais, econômicos, financeiros e psicológicos? Não me parece.
As BETS podem gerar inclusive perda de arrecadação para o governo pela drenagem de recursos do consumo de bens e serviços, com perda da atividade econômica em setores produtivos, e elevação da taxa de juros (inadimplência e menos recursos investidos no mercado financeiro). Apostar nas BETS pode gerar mais perdas do que ganhos para o país, exatamente como ocorre nos jogos de azar para seus apostadores.
[jp-related-posts ids=”1734310,1734229″]