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Alan Ghani

Desenrola adimplente: mais populismo à vista

Programa visa à possibilidade de trocar dívida mais cara por mais barata (juros menores), ou alongamento de prazos, com a garantia do Fundo Garantidor de Operações

Alan Ghani

Celular com logo do Serasa ao lado de cartaz do Feirão Limpa Nome
COMEÇA MEGA FEIRÃO SERASA COM DESENROLA LUIS LIMA JR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O governo anunciou um novo programa de renegociação de dívidas. Ao contrário das outras versões do Desenrola, cujo alvo eram os inadimplentes, desta vez o foco foi nas pessoas endividadas e adimplentes.

O programa visa à possibilidade de trocar dívida mais cara por mais barata (juros menores), ou alongamento de prazos, com a garantia do Fundo Garantidor de Operações. Se, na troca, o devedor não honrar o compromisso financeiro, o governo garante a operação.

A ideia do governo é tirar pessoas do endividamento, oferecendo taxas de juros menores. Não há dúvidas de que as taxas de juros no Brasil para Pessoa Física (PF) são muito altas. Entretanto, a medida do governo não vai resolver esse problema estruturalmente.

Se o governo quisesse de fato diminuir a taxa de juros para empréstimos e financiamentos de maneira permanente, deveria começar por um ajuste fiscal do lado do gasto. Em parte, os juros para PF é muito elevado no Brasil porque as taxas dos títulos públicos, balizadoras de todo o mercado de crédito, são altas por conta do risco fiscal.

Mas é claro que cortar gastos significa um ônus que o governo não quer correr num ano eleitoral. É mais fácil lançar um novo programa populista do que pensar no futuro do país.

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