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Alan Ghani

Dívida/PIB ultrapassa 81% e chega a patamar perigoso

Problema é que a rolagem da dívida não é infinita e poderá chegar um momento que, mesmo com este mecanismo, o governo não conseguirá honrar seus compromissos financeiros

Alan Ghani

Dinheiro
Dinheiro José Cruz/Agência Brasil

De acordo com o Banco Central, a dívida bruta em relação ao PIB ficou em 81,1% no mês de maio. A dívida cresceu em relação ao mês anterior (80,2%) e veio acima das projeções de mercado.

Uma dívida/PIB acima de 80% para uma economia emergente, com juros de 14,25% a.a., é um patamar preocupante. Para conseguir rolar a dívida, o governo emite mais títulos, com taxas muito elevadas, a fim de pagar os juros e amortizações das obrigações já contratadas. O problema é que a rolagem da dívida não é infinita e poderá chegar um momento que, mesmo com este mecanismo, o governo não conseguirá honrar seus compromissos financeiros. Esta situação caracteriza o calote da dívida pública.

Por conta desse risco, é vital um rigoroso ajuste nas contas públicas a fim de estancar o crescimento da dívida pública e evitar o calote nos credores, que teria consequências catastróficas para a economia brasileira (fuga de capitais, redução de investimentos, desemprego e inflação).

Apesar da experiência internacional mostrar todos os efeitos perversos do não pagamento da dívida, o governo e o Congresso não estão dispostos a fazer um ajuste nas contas públicas. Pelo contrário, o governo ligou a impressora do populismo com uma série de programas de crédito subsidiado, com impactos fiscais significativos, enquanto o Congresso insiste em aprovar pautas bombas com elevação significativa dos gastos públicos.

A situação fiscal brasileira é perigosa, para dizer o mínimo. Se o próximo governo não colocar o ajuste fiscal como pauta prioritária da agenda econômica, teremos um tombo que a Argentina tomou no passado e que até hoje não se recuperou, mesmo com a motoserra do Milei. A prevenção ainda é a melhor saída.