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Alan Ghani

Expectativas macroeconômicas pioraram bastante

Inflação deverá fechar o ano em 4,84, dólar disparou e há perspectiva de que Banco Central eleve taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual; se nada for feito, é questão de tempo para uma crise econômica

Alan Ghani

Moedas de R$ 1 e de R$ 0,50
DIA 31 DE OUTUBRO E O DIA MUNDIAL DA POUPANCA,NESTA QUINTA-FEIRA (31). DELMIRO JUNIOR/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Boletim Focus do Banco Central, que reúne as projeções do mercado para as principais variáveis macroeconômicas, trouxe piora para o cenário macroeconômico brasileiro para 2024 e 2025. De acordo com o relatório, a inflação medida pelo IPCA deverá fechar em 4,84% em 2024 e 4,59% em 2025. Com elevações consecutivas nas projeções de IPCA, claramente há um processo de desancoragem das expectativas inflacionárias.

Além da inflação, a projeção de dólar piorou bastante. De acordo com a mediana do mercado financeiro, o dólar encerrará 2024 em R$ 5,95 e 2025 em R$ 5,77. Já é possível dizer que o novo câmbio de equilíbrio do Brasil é R$ 6,00. Na prática, a conversão que outrora os brasileiros faziam, multiplicando o preço em dólar por 5,00, agora será por 6,00. Com as projeções do IPCA crescentes e do dólar em alta, que também tem impactos inflacionários, era esperado uma elevação da previsão da Selic.

Segundo o relatório a taxa básica de juros deverá encerrar este ano em 12% a.a., e, em 2025, em 13,5% a.a. Isso significa que na próxima reunião do Copom — que terminará nesta quarta-feira (11) —, o Banco Central deverá elevar a taxa básica em 0,75 p.p. No entanto, parte do mercado acredita que a elevação poderá ser ainda maior, em 1,0 p.p. Se a Selic fechar neste patamar em 2024 e subir até 13,5% em 2025, fica difícil defender um crescimento do PIB em 2%, conforme a previsão do próprio Boletim Focus.

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O custo do crédito mais elevado fatalmente piorará a atividade econômica, ao diminuir o investimento e o consumo. Soma-se a isso a piora do humor do mercado, que poderá levar as empresas a reterem caixa em vez de investirem. Se nada for feito, é questão de tempo para a piora fiscal se materializar numa crise econômica com efeitos na renda, no emprego e na inflação.

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