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Alan Ghani

Inflação abaixo do esperado: É cedo para comemorar

Com a menor variação de preços de junho, houve redução das expectavas inflacionaras captadas pelo Boletim Focus do Banco Central

Alan Ghani

Calculadora com gráficos da inflação no Brasil
Calculadora com gráficos da inflação no Brasil Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho veio bem abaixo do esperado com alta de 0,16%, contra projeção do mercado financeiro de 0,31%. A menor variação decorreu sobretudo pela queda dos preços dos alimentos.

Com a menor variação de preços de junho, houve redução das expectavas inflacionaras captadas pelo Boletim Focus do Banco Central, que reúne a mediana das projeções das principais variáveis econômicas estimadas pelo mercado financeiro. De acordo com o relatório, a projeção do IPCA de 2026 caiu de 5,30% para 5,16% na passagem semanal.

Apesar da redução, a inflação está longe de ser controlada. Pelo contrário, as expectativas inflacionárias e o índice corrente acumulado em 12 meses, em 4,64%, continuam acima do teto da meta de inflação (4,5%). Além disso, há uma série de riscos a serem considerados.

O primeiro é os estímulos fiscais que continuam a todo vapor. Isenções fiscais e crédito subsidiados para diversos setores têm pressionado a demanda a agregada acima da capacidade de oferta, trazendo pressões inflacionárias.

O segundo risco é o conflito no Oriente Médio. Não deu nem um mês do cessar fogo, e o petróleo voltou a subir fortemente. Com o impasse das negociações entre EUA e Irã, é bem provável que o petróleo volte a US$100 o barril. Neste patamar, os impactos inflacionários são inevitáveis.

Por fim, o fator climático, com a chegada do El Niño, poderá trazer problemas na safra agrícola, reduzindo a oferta de alimentos, ocasionado pressão nos preços.

Com esse cenário, não há muito espaço para o Banco Central reduzir a Selic.

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