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Alan Ghani

Qual o objetivo de Benjamin Netanyahu ao atacar o Irã?

Justificativa da ameaça nuclear não faz muito sentido quando EUA e Irã sentariam numa mesa de negociação em Omã para selar um acordo sobre enriquecimento de urânio

Alan Ghani

Prédio danificado por ataques aéreos israelenses ao norte de Teerã
Israel lanza ataques contra Irán Abedin Taherkenareh/EFE

À luz dos últimos acontecimentos, a guerra entre Israel e Irã era bem previsível. A primeira evidência foi o ataque de Israel à embaixada do Irã na Síria, com a resposta calibrada do país persa a fim de não escalar o conflito. O segundo sinal para eclosão da guerra foi o assassinato do líder do Hamas em Teerã no mesmo dia da posse do novo presidente iraniano. Novamente, o Irã respondeu, mas desta vez com um pouco mais de intensidade, acertando alvos militares, com o objetivo de demonstrar que tem capacidade de reação numa eventual guerra entre os dois países.

Até que se chega aos ataques promovidos por Israel na madrugada desta sexta-feira (13). A justificativa para a morte das lideranças do regime de Teerã — e o bombardeio de alvos militares em áreas de produção de enriquecimento de urânio — foi a possibilidade de Israel utilizar energia nuclear para construir uma bomba atômica, e atacar Israel. Entretanto, não faz muito sentido essa justificativa, quando EUA e Irã sentariam numa mesa de negociação em Omã para selar um acordo sobre enriquecimento de urânio e produção de energia nuclear no dia 15 de julho — exatamente a dois dias dos ataques.

Provavelmente, Israel atacou o Irã porque enxergou uma janela de oportunidade para derrubar o regime de Teerã sob a alegação de “ataque preventivo”, mesma justificativa utilizada pelos EUA para invadir o Iraque e aniquilar a ditadura de Saddam Hussein. Entretanto, a queda regime de Teerã está longe de garantir a paz na região. Um novo regime poderá ser igualmente hostil a Israel e continuar os programas de enriquecimento de urânio — até porque a maioria das bases são subterrâneas e não foram destruídas.

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A guerra do Iraque e a Primavera Árabe mostraram que a derrubada de regimes pela força pode ser substituída por piores governo, gerando mais caos e terrorismo — infelizmente. A solução para paz de Israel não é fácil, mas deve passar de alguma maneira por uma saída negociada politicamente.

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