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Bruno Pinheiro

Gaeco faz operação em Cuiabá e VG e mira vereadores por suspeita de compra de votos

Possível vazamento de informações antes das buscas entra no radar da investigação; operação alcança presidente da Câmara de VG e presidente eleito da Câmara de Cuiabá

Bruno Pinheiro

Gaeco do MP-MT
Gaeco do MP-MT Divulgação

Uma possível circulação antecipada de informações sobre a operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, nesta terça-feira (20), entrou no radar de pessoas ligadas à investigação. A ofensiva mira vereadores de Cuiabá e Várzea Grande por suspeitas de compra de votos e irregularidades nas eleições das Mesas Diretoras.

Entre os alvos estão Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Câmara de Várzea Grande, Ilde Taques (Podemos), presidente eleito da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, e o vereador cuiabano Alex Rodrigues.

Informações sobre as diligências podem ter chegado antecipadamente ao conhecimento de pessoas ligadas aos investigados. Nos bastidores, também são levantadas hipóteses sobre possíveis trocas de aparelhos celulares e retirada de documentos de endereços relacionados à operação, circunstâncias que poderiam dificultar o trabalho dos policiais.

A possibilidade de vazamento ganhou atenção diante da importância de mensagens, registros de conversas e documentos para o esclarecimento das suspeitas. Não há, até o momento, confirmação pública de que essas medidas tenham ocorrido.

A operação alcança, segundo informações preliminares, 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos alvos.

Em Várzea Grande, a investigação envolve a eleição realizada em 14 de maio, quando Wanderley Cerqueira foi reconduzido à presidência da Câmara por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL).

Entre os nomes ligados à apuração estão os vereadores Gisa Barros e Rogerinho Dakar, a diretora financeira Lorineide Inhan, conhecida como Lori, e o secretário Legislativo Samir Katumata.

Durante as diligências, policiais estiveram na residência da mãe de Cerqueira, no bairro Ipase, em Várzea Grande. O presidente da Câmara confirmou o cumprimento do mandado. Também foram realizadas buscas em outros endereços ligados aos investigados.

O Gaeco apura denúncias de que parlamentares teriam recebido vantagens financeiras para apoiar a chapa vencedora. Os relatos também mencionam a permanência de vereadores em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, nos dias anteriores à votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados.

Outra linha da investigação envolve um suposto acordo relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que poderia incluir vantagens indevidas em troca de apoio político.

A eleição que reconduziu Cerqueira foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio. O ministro Dias Toffoli considerou irregular a antecipação da votação para o biênio 2027-2028. Uma nova eleição ainda não havia sido realizada, o que motivou outra disputa judicial.

Em Cuiabá, Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara em 6 de outubro, com os votos dos 27 vereadores, após articulações entre diferentes grupos políticos. Ele assumirá o comando do Legislativo em janeiro de 2027.

A inclusão de parlamentares da capital amplia o alcance político da operação, embora os detalhes específicos das suspeitas envolvendo os vereadores de Cuiabá ainda não tenham sido esclarecidos publicamente.

A investigação tramita sob sigilo. O cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa comprovação de envolvimento dos alvos nos crimes investigados. Wanderley Cerqueira já negou anteriormente participação em suposta compra de votos.

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