Policiais civis são investigados por propina para liberar cargas do Paraguai
Quatro policiais civis são alvos de uma operação realizada nesta sexta-feira (28) contra um esquema suspeito de cobrança de propina para a liberação de cargas de produtos eletrônicos vindas do Paraguai. Ao todo, a Justiça decretou sete prisões contra os investigados. Entre os policiais estão Bruno Moreno, José Nishi, Sidiclei Almeida e Jonathan Vieira.
Segundo a investigação do Ministério Público, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, os agentes interceptavam cargas de eletrônicos e cobravam cerca de 70% do valor das mercadorias para permitir a liberação total ou parcial dos produtos.
Pelo menos quatro episódios são investigados desde 2024. Nesse período, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 2,35 milhões em propina, de acordo com os investigadores.
Os policiais investigados atuam em unidades de Santana de Parnaíba, Embu das Artes e no 2º Distrito Policial de Cotia. A suspeita é de que eles utilizavam a própria estrutura da Polícia Civil para armazenar as mercadorias e, posteriormente, simulavam apreensões parciais das cargas. Dessa forma, segundo o Ministério Público, tentavam dar uma aparência de legalidade à atuação e justificar a retenção dos produtos.
Advogado seria intermediário
Um advogado também é alvo da operação e, segundo as investigações, teria um papel central na negociação entre os policiais e empresários envolvidos no esquema. Outras duas pessoas tiveram a prisão decretada por suspeita de intermediar as negociações.
Mensagens analisadas pelos investigadores apontam que o advogado teria criado e utilizado a expressão “caixinha da alegria” para se referir ao dinheiro pago aos policiais. Ele seria responsável por indicar as contas que receberiam os pagamentos, orientar os envolvidos sobre os valores que deveriam ser informados às autoridades e participar das negociações para a devolução das mercadorias.
A investigação também aponta que o advogado teria recorrido a dinheiro em espécie para tentar dificultar o rastreamento das transações financeiras relacionadas ao esquema.
Para o Ministério Público, a estrutura da própria Polícia Civil teria sido utilizada pelos envolvidos para monitorar as cargas, armazenar mercadorias e obter vantagens indevidas.
Mandados em três estados
Além das prisões, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, a quebra do sigilo dos telefones dos investigados e a apreensão de documentos que possam ajudar a identificar outros integrantes do grupo. Também foi determinado o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos alvos.
As ordens judiciais são cumpridas em diferentes cidades de São Paulo, entre elas Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes e São Sebastião, além da capital paulista. A operação também chegou aos estados do Paraná, com diligências em Londrina e Foz do Iguaçu, e de Goiás, em São Luís de Montes Belos.
As investigações continuam para identificar se outros policiais, empresários ou intermediários participaram do esquema e qual seria a extensão da utilização da estrutura policial para favorecer a liberação irregular das cargas.
A Coluna busca contato com a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para manifestações.
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David de Tarso
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