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David de Tarso

Senival Moura, vereador do PT, é preso em operação contra presença do PCC no transporte de SP

Parlamentar estava solto desde 5 de agosto, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ação conjunta do DEIC e do GAECO cumpriu cinco dos sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça

David de Tarso

Vereador Senival Moura (PT)
Vereador Senival Moura (PT) Divulgação / Afonso Braga

O vereador licenciado de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso nesta quarta-feira (28) durante uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista. O parlamentar estava solto desde 5 de agosto, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A ação foi realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), por meio da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (DIVECAR), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva. Cinco investigados foram presos nesta quarta-feira, enquanto outros dois não foram localizados e permanecem com mandados pendentes de cumprimento.

A investigação apura suspeitas de envolvimento de integrantes de uma organização criminosa na estrutura societária e administrativa da Transunião Transportes S.A., empresa que opera linhas de ônibus na cidade de São Paulo.

Segundo as apurações, há indícios de que pessoas ligadas ao grupo criminoso teriam utilizado terceiros para ocultar a participação na empresa, além de movimentações financeiras suspeitas e mecanismos para dissimular a origem e a titularidade de bens e valores.

Os investigadores também identificaram possíveis vínculos entre integrantes da organização criminosa e pessoas que exerciam funções de direção, administração ou influência sobre as atividades da empresa.

O inquérito policial foi concluído e relatado. Com base nos elementos reunidos durante a investigação, o Ministério Público ofereceu denúncia à Justiça.

Bens de luxo e bloqueio de patrimônio

Além das prisões, a operação teve como objetivo atingir o patrimônio que pode estar relacionado às atividades investigadas.

Durante as diligências, foram apreendidos R$ 158.919 em dinheiro, US$ 2.417 e € 1.465. Também foram recolhidos dez veículos, aproximadamente 40 relógios de luxo e joias.

Entre os automóveis apreendidos estão modelos de alto valor, como Porsche Macan, BMW e RAM Rampage.

A Justiça também determinou o sequestro de 21 imóveis, a restrição de transferência de 408 veículos e o bloqueio de seis embarcações.

As medidas patrimoniais incluem ainda a indisponibilidade de bens vinculados a 136 CPFs e CNPJs, além de bloqueios de valores em instituições financeiras por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (SISBAJUD). Os montantes bloqueados ainda não foram integralmente consolidados.

A operação busca não apenas responsabilizar os investigados, mas também impedir a transferência ou a dissipação de bens e recursos que possam estar relacionados às atividades ilícitas apuradas.

A Polícia Civil e o Ministério Público destacam que a atuação conjunta é fundamental para identificar a infiltração de organizações criminosas em atividades econômicas aparentemente legais e rastrear os recursos utilizados para financiar essas estruturas.

O que diz a defesa do vereador Senival Pereira de Moura

Os advogados do vereador Senival Pereira de Moura manifesta sua discordância quanto à decisão judicial que decretou sua prisão preventiva em 20 de outubro de 2026, por entender que a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade. Antes, Senival não poderia ser preso por conta da lei eleitoral, que só permite prisões em flagrante.

A decisão, na avaliação da defesa, apoia-se essencialmente em elementos investigativos que já integram a denúncia oferecida pelo Ministério Público, sem demonstrar adequadamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que evidenciem a necessidade atual da prisão.

“É fundamental distinguir a existência de uma acusação criminal dos requisitos legais indispensáveis à decretação de uma prisão preventiva. O recebimento de uma denúncia não implica, por si só, a necessidade de encarceramento do acusado”.

A defesa destaca que a decisão atribui ao parlamentar um suposto risco de continuidade das práticas investigadas, mas questiona a ausência de demonstração suficientemente individualizada de atos recentes que comprovem esse perigo.

Senival Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e, desde o início das investigações, reafirma sua inocência e sua confiança na Justiça.

“Cumpre recordar que, em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia reconhecido a ilegalidade da manutenção de sua prisão temporária, determinando seu relaxamento por extrapolação do prazo legal. Embora se trate de modalidade distinta de prisão cautelar, aquela decisão reafirmou a importância da estrita observância das garantias constitucionais”.

“A prisão preventiva não pode representar antecipação de pena, tampouco decorrer automaticamente da gravidade das acusações. Sua imposição exige fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos previstos na legislação processual penal A defesa respeita as instituições e reconhece a legitimidade da investigação criminal. Entretanto, entende que a apuração dos fatos deve ocorrer com pleno respeito à presunção de inocência, ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Diante disso, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis para questionar a necessidade e a legalidade da custódia, buscando o restabelecimento da liberdade do parlamentar. Senival Moura permanece firme em sua declaração de inocência e confiante de que a verdade será esclarecida no curso do processo”

A coluna ainda tenta contato com a empresa Transunião. Assim que tiver retorno o texto será atualizado.

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