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David de Tarso

Tráfico na Cracolândia lavava milhões da Favela do Moinho, diz investigação

Operação do Gaeco e da Rota mira grupo suspeito de movimentar dinheiro do tráfico por meio de empresas de fachada, doleiros e contas de pessoas jurídicas

David de Tarso

Gaeco
Tráfico na Cracolândia lavava milhões da Favela do Moinho, diz investigação Divulgação/ GAECO – MPRJ

Um dos principais nomes do tráfico de drogas na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, teria montado uma estrutura financeira para lavar o dinheiro arrecadado com a venda de entorpecentes na Favela do Moinho. A suspeita é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e integra a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio de policiais da Rota.

A ofensiva mira integrantes de uma organização criminosa suspeita de atuar na lavagem de dinheiro e na movimentação de recursos provenientes de atividades ilícitas. Ao todo, são cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão.

Segundo a investigação, Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Leo do Moinho, preso em uma operação do Ministério Público em 2024, seria um dos principais beneficiários da estrutura financeira investigada. Apontado como chefe do tráfico na Cracolândia, ele teria contado com o apoio de operadores financeiros para ocultar a origem dos recursos obtidos com o comércio de drogas.

Para fazer o dinheiro circular sem levantar suspeitas, os criminosos teriam utilizado empresas de fachada e contas bancárias vinculadas a pessoas jurídicas sem atividade comercial legítima. De acordo com os investigadores, grandes quantias em espécie de origem ilícita eram inseridas no sistema financeiro por meio dessas empresas e, posteriormente, transferidas entre diferentes contas.

O esquema também contaria com a atuação de “doleiros”, que receberiam comissões para movimentar e lavar os recursos sem que houvesse uma justificativa comercial legítima para as transações.

Um dos investigados que chamou a atenção dos promotores da foi Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu. A apuração identificou transações consideradas volumosas realizadas por ele, que teria participado da engrenagem financeira responsável pela circulação do dinheiro de origem ilícita.

Parte dos recursos, segundo a investigação, teria sido convertida em patrimônio de alto valor. Os criminosos teriam realizado transações envolvendo imóveis localizados em condomínios de luxo, inclusive na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.

Tribunal do crime

Além da estrutura financeira, a investigação aponta que o grupo mantinha mecanismos de controle e disciplina próprios de uma organização criminosa. Pessoas que contrariavam determinações da facção ou descumpriam regras internas eram submetidas ao chamado “tribunal do crime”.

Segundo os investigadores, integrantes do PCC utilizariam esse mecanismo para impor punições violentas, que poderiam incluir tortura e até execução de pessoas consideradas inimigas ou que desobedecessem às ordens da organização.

A apuração também busca esclarecer a relação entre o dinheiro proveniente do tráfico na Favela do Moinho, a estrutura de lavagem de capitais e os demais integrantes envolvidos na movimentação dos recursos.

R$ 10 milhões bloqueados

Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em recursos e bens relacionados aos investigados. A medida tem como objetivo impedir a movimentação do patrimônio que, segundo o Ministério Público, teria origem ou ligação com as atividades criminosas.

A Operação Janus representa mais uma ofensiva contra a estrutura financeira utilizada por organizações criminosas para transformar dinheiro obtido com atividades ilícitas em patrimônio aparentemente legal.

A coluna não conseguiu contato com os citados na reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos.