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Eliseu Caetano

Eclipe, chuva de meteoros: quarta-feira será marcada por espetáculos cósmicos

A coincidência não significa que os eventos estejam relacionados entre si

Eliseu Caetano

Previsão do Instituto de Astrofísica de Canárias do eclipse solar do dia 12 de agosto
Foto de arquivo mostra eclipse solar Reprodução/Instituto de Astrofísica de Canárias

Para quem gosta de astronomia, esta quarta-feira, 12 de agosto, é um daqueles dias para ficar de olho no céu.

Três grandes fenômenos astronômicos coincidem em menos de 24 horas: um “desfile” de seis planetas, um eclipse solar total e o pico da chuva de meteoros Perseidas.

A coincidência não significa que os eventos estejam relacionados entre si, mas transforma a data em uma das mais movimentadas do calendário astronômico de 2026.

O espetáculo começou antes mesmo do nascer do Sol. Seis planetas – Júpiter, Mercúrio, Marte, Urano, Saturno e Netuno – aparecem distribuídos pelo céu matinal. É o fenômeno popularmente conhecido como “desfile de planetas”. Eles não estão realmente alinhados no espaço: vistos da Terra, aparecem ao longo de uma mesma região do céu. Mercúrio, Júpiter, Marte e Saturno podem ser observados a olho nu em condições favoráveis, enquanto Urano e Netuno exigem equipamentos de observação.

Durante o dia acontece o fenômeno mais aguardado: um eclipse solar total. A Lua passa entre a Terra e o Sol e encobre completamente o disco solar para quem estiver dentro de uma estreita faixa do planeta. A totalidade atravessa áreas da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Oceano Atlântico e Espanha, além de uma pequena região de Portugal.

No Brasil, porém, o eclipse não será visível – nem mesmo de forma parcial. A sombra da Lua responsável pelo fenômeno ficará concentrada no Hemisfério Norte. Os brasileiros interessados poderão acompanhar o espetáculo pela internet; o Observatório Nacional anunciou transmissão ao vivo a partir do meio-dia, pelo horário de Brasília.

E quando o Sol se pôr, as atenções mudam para outro fenômeno. A noite de 12 para 13 de agosto marca o pico das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais famosas do ano. Ela acontece quando a Terra atravessa detritos deixados pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, essas pequenas partículas produzem os riscos luminosos que vemos como “estrelas cadentes”.

Este ano há ainda uma vantagem especial: o pico das Perseidas coincide com a Lua Nova. Sem o brilho da Lua clareando o céu, as condições ficam muito melhores para observar meteoros mais fracos.

A NASA recomenda procurar um lugar escuro, longe das luzes das cidades, e dar alguns minutos para que os olhos se acostumem à escuridão.

No Brasil, as Perseidas podem ser observadas, mas as condições são melhores no Hemisfério Norte, onde a constelação de Perseu – região de onde os meteoros parecem surgir – fica mais alta no céu. Quanto mais ao norte estiver o observador brasileiro, em geral, melhores serão as condições.

E agosto ainda reserva outro fenômeno importante para os brasileiros: na noite de 27 para 28 de agosto, um eclipse lunar parcial será visível nas Américas, incluindo o Brasil.

Ou seja: mesmo sem conseguir assistir diretamente ao eclipse solar desta quarta-feira, quem gosta de astronomia tem bons motivos para olhar para cima. O dia começa com planetas, passa por um eclipse total do outro lado do mundo e termina sob uma chuva de meteoros.