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Eliseu Caetano

Eduardo desembarca em Washington após condenação no STF e intensifica articulação

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro participa nesta segunda-feira de um tradicional jantar anual que reúne mais de 20 senadores republicanos na capital americana

Eliseu Caetano

Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro Matheus Bonomi/Estadão Conteúdo

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conhecido como “03”, desembarcou em Washington, D.C., para uma nova rodada de agendas políticas com aliados republicanos e integrantes do governo do presidente Donald Trump.

A viagem ocorre poucos dias após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal e marca mais um capítulo da estratégia de internacionalização das disputas políticas envolvendo o grupo bolsonarista.

Segundo apurou com exclusividade o colunista da Jovem Pan Eliseu Caetano, Eduardo participa nesta segunda-feira de um tradicional jantar anual que reúne mais de 20 senadores republicanos na capital americana. O encontro, considerado um dos principais eventos políticos do calendário conservador em Washington, deverá abordar temas relacionados às relações entre Brasil e Estados Unidos.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, um dos assuntos que devem dominar as conversas é a avaliação de parlamentares republicanos sobre a inconveniência da adoção de tarifas comerciais como instrumento de pressão diplomática contra o Brasil. Nos bastidores, cresce entre alguns integrantes do partido a defesa de medidas alternativas, incluindo possíveis sanções individuais inspiradas na Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.

A presença de Eduardo no evento é vista por aliados como uma oportunidade para reforçar contatos políticos construídos ao longo dos últimos anos dentro do Partido Republicano.

No último dia 16 de junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de multa e da perda dos direitos políticos pelo período previsto em lei.

Segundo a decisão, o ex-deputado cometeu o crime de coação no curso do processo ao atuar nos Estados Unidos buscando pressionar autoridades brasileiras e estrangeiras em relação às investigações e ações judiciais envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A acusação sustentou que Eduardo trabalhou para incentivar medidas de pressão internacional contra integrantes do Judiciário brasileiro, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes. O entendimento foi acolhido pela Corte.

Morando nos Estados Unidos desde 2025, em uma espécie de autoexílio político, Eduardo tem atuado ao lado do jornalista Paulo Figueiredo na construção de uma rede de apoio internacional para denunciar o que classificam como perseguição política contra o bolsonarismo.

Entre os principais objetivos da viagem está a defesa de novas sanções contra autoridades brasileiras. Aliados do ex-deputado voltaram a mencionar a possibilidade de utilização da Lei Magnitsky contra integrantes do Judiciário brasileiro, especialmente Alexandre de Moraes.

A recente condenação pelo STF passou a ser utilizada por apoiadores de Eduardo como argumento para demonstrar, segundo eles, supostos excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal.

O tema também tem repercutido em Washington. Nos últimos dias, integrantes do governo Trump e parlamentares republicanos voltaram a fazer críticas ao Judiciário brasileiro. O próprio presidente Donald Trump mencionou publicamente a situação da família Bolsonaro em declarações recentes.

Para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, a atuação internacional busca defender princípios como liberdade de expressão e garantias democráticas. Já os críticos afirmam que a estratégia representa uma tentativa de levar disputas políticas internas do Brasil para o cenário internacional, criando pressões externas sobre instituições brasileiras.