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Eliseu Caetano

EUA multiplicam por 100 importações de petróleo da Venezuela e pagam 25% menos pelo barril

Compras americanas chegaram a 701 mil barris por dia em julho, contra apenas 7 mil no mesmo mês de 2025

Eliseu Caetano

Petrobras
PNA-2 Divulgação Petrobras - Plataforma de Petróleo na Costa Norte do Rio de Janeiro Divulgação/Petrobras

As importações de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos dispararam em 2026. Em julho, o país comprou uma média de 701 mil barris por dia da Venezuela, contra apenas 7 mil barris diários no mesmo período do ano passado. O volume ficou mais de 100 vezes maior, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA).

Além do aumento nas compras, o preço médio de aquisição do petróleo venezuelano caiu de US$ 95,02 por barril, em maio, para US$ 71,28 em julho, uma redução de aproximadamente 25% em apenas dois meses.

Questionada sobre os números, a Casa Branca afirmou que o petróleo venezuelano já está chegando aos Estados Unidos em “volumes recordes” e atribuiu o crescimento à nova relação diplomática com Caracas e aos investimentos privados americanos no setor energético.

Importações dispararam em sete meses

Os dados mostram uma recuperação acelerada das compras americanas. Em janeiro, os Estados Unidos importavam cerca de 200 mil barris diários da Venezuela. Em março, o volume chegou a 373 mil, avançou para 471 mil em maio e alcançou 630 mil em junho, antes de atingir 701 mil em julho.

O resultado representa o maior volume mensal desde 2017 e marca uma mudança nas relações comerciais entre os dois países, depois de anos de sanções econômicas e restrições ao petróleo venezuelano.

A Venezuela voltou a ocupar uma posição importante entre os fornecedores estrangeiros das refinarias americanas, especialmente aquelas localizadas na região do Golfo do México, que possuem infraestrutura adaptada ao processamento de petróleo pesado.

Crescimento ocorreu antes de acordo bilionário

Um dos pontos que chamam atenção é que o aumento das importações ocorreu antes do acordo anunciado pelo governo Donald Trump, em 31 de agosto, envolvendo a North American Blue Energy Partners (NABEP). O entendimento prevê concessões de exploração por 100 anos em 17 campos petrolíferos venezuelanos, com reservas estimadas em 65 bilhões de barris.

Segundo a Casa Branca, a iniciativa poderá mobilizar até US$ 100 bilhões em investimentos privados para modernizar a infraestrutura petrolífera venezuelana e ampliar a produção. O governo americano também anunciou uma participação de 35% na empresa controladora da NABEP, além de direitos preferenciais sobre parte da produção.

Entretanto, os números de julho mostram que a retomada das importações já estava em andamento antes da formalização do acordo.

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