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Eliseu Caetano

Kast ordena expulsão de estrangeiros envolvidos em distúrbios no Chile

Presidente chileno anuncia medida após atos violentos em Santiago; Europa também registra protestos

Eliseu Caetano

José Antonio Kast
“Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros venham ao Chile cometer crimes e participar de atos violentos para alterar a ordem pública”, escreveu Kast. EITAN ABRAMOVICH / AFP

O presidente do Chile, José Antonio Kast, determinou que o Ministério do Interior e o Serviço Nacional de Migrações utilizem os instrumentos legais e administrativos disponíveis para expulsar estrangeiros envolvidos nos episódios de violência registrados no domingo, 18 de outubro. O anúncio foi feito nas redes sociais na noite desta segunda-feira (19).

“Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros venham ao Chile cometer crimes e participar de atos violentos para alterar a ordem pública”, escreveu Kast.

O presidente também comemorou a aprovação, na Câmara dos Deputados, de um projeto que visa acelerar as expulsões administrativas de imigrantes em situação irregular. A iniciativa ainda precisa passar pelo Senado. A publicação anuncia uma determinação do governo, sem informar quantas expulsões já foram efetivamente realizadas.

Na região metropolitana de Santiago, os distúrbios incluíram o incêndio de um ônibus, o ataque a outro veículo do transporte público e uma tentativa de saque a um supermercado. Em Pedro Aguirre Cerda, encapuzados teriam obrigado os passageiros a desembarcar antes de incendiar um ônibus articulado. Em Peñalolén, um motorista ficou ferido depois de um ataque com pedras, barras de ferro e pedaços de madeira.

A reação de Kast ocorre em um momento de manifestações e endurecimento do discurso de autoridades em diferentes países europeus. Os episódios têm causas e participantes distintos, mas colocam governos sob pressão para responder às reivindicações sociais e aos atos de violência.

Na França, manifestações contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos terminaram em saques, incêndios e confrontos. O balanço divulgado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, chegou a 2.400 prisões e quase mil policiais feridos. Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca em Paris.

“Nada justifica, nada explica, nada desculpa”, declarou o presidente Emmanuel Macron, que também reconheceu a legitimidade das reivindicações de quem protestou pacificamente.

Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni condenou os confrontos registrados em cidades como Milão, Turim e Bolonha. As mobilizações reuniram reivindicações por melhores salários, moradia e serviços públicos, além de críticas ao aumento do custo de vida.

“Manifestar-se é um direito. Incendiar nossas cidades não é”, afirmou Meloni. A primeira-ministra pediu à oposição uma condenação inequívoca da violência. Em sua manifestação, relatou ataques com pedras contra policiais em Milão, apreensões de objetos usados para depredação em Turim e o fechamento preventivo da estação ferroviária de Bolonha.

Na Albânia, protestos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama também se transformaram em confrontos. Os manifestantes exigem sua saída e cobram respostas sobre corrupção e condições de vida.

“Os protestos são um direito, enquanto a violência é um crime”, escreveu Rama nesta segunda-feira. O primeiro-ministro afirmou que essa separação representa uma “linha vermelha” para o governo.

Em Portugal, a crise da habitação levou manifestantes às ruas e provocou uma resposta dura do Executivo. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o governo “não cederá aos gritos da rua”, ao defender que as medidas para enfrentar o problema não sejam determinadas pelo tumulto.

Na Espanha, acampamentos contra os preços dos aluguéis se espalharam por cidades como Madri, enquanto manifestações semelhantes ocorreram em Lisboa e no Porto. A dificuldade de acesso à moradia está entre os principais motivos de insatisfação dos jovens nesses países.

A imigração também entrou na disputa política sobre os distúrbios. Nos Estados Unidos, Donald Trump atribuiu a violência na França aos imigrantes e defendeu o fechamento das fronteiras. As autoridades francesas, porém, não responsabilizaram os imigrantes como grupo pelos acontecimentos. No Chile, a ordem anunciada por Kast se dirige especificamente aos estrangeiros apontados como participantes dos atos violentos de domingo.

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