JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Morning Show | 10h00 - 12h00
Eliseu Caetano

Marco Rubio diz que Brasil não integra grupo de aliados dos EUA

Declaração chama atenção porque coloca o país no mesmo grupo de Cuba, Venezuela e Nicarágua durante audiência no Congresso dos EUA

Eliseu Caetano

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa de fim de ano na Sala de Imprensa do Departamento de Estado, em Washington
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa de fim de ano na Sala de Imprensa do Departamento de Estado, em Washington MANDEL NGAN / AFP

Marco Rubio colocou o Brasil no grupo dos países que não integram o atual bloco de aliados estratégicos de Washington no Hemisfério Ocidental, ao lado de Cuba, Venezuela e Nicarágua. A fala ocorreu nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Congresso americano.

Ao defender que a América Latina vive hoje um momento de aproximação com os Estados Unidos, Rubio afirmou que a região está “cheia de aliados” e de governos amigáveis aos interesses americanos. Em seguida, porém, fez uma lista de exceções – e incluiu o Brasil entre elas.

“Com exceção da Nicarágua, com exceção de Cuba, obviamente com exceção da Venezuela (…), e claro, do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral (…), de modo geral agora é uma região cheia de aliados dos Estados Unidos, líderes amigáveis aos EUA e uma direção favorável à América.”

A declaração chama atenção porque coloca o Brasil na mesma relação de países frequentemente criticados por Washington por seu distanciamento político dos Estados Unidos. Embora Rubio tenha citado o atual ciclo eleitoral brasileiro como um fator de contexto, a mensagem transmitida foi clara: o governo brasileiro não é visto hoje pela principal autoridade diplomática americana como parte do grupo de países alinhados aos interesses estratégicos dos EUA na região.

Recado direto a Brasília

A fala representa um dos posicionamentos mais duros já feitos por um integrante de alto escalão do governo americano em relação ao Brasil desde o início da atual administração brasileira.

Ao elogiar a maioria dos governos latino-americanos e separar nominalmente Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua desse grupo, Rubio sinalizou que Washington vê Brasília mais distante de sua agenda regional do que seus principais parceiros continentais.

O secretário também afirmou que os Estados Unidos precisam recuperar espaço na América Latina após duas décadas de “negligência”, período que, segundo ele, permitiu o avanço da influência chinesa no continente. Na visão de Rubio, o fortalecimento de governos alinhados aos EUA é parte fundamental dessa estratégia.

Escalada de atritos

A declaração ocorre em meio a uma sequência de episódios que vêm aumentando a tensão entre Washington e Brasília.

Nos últimos dias, Rubio já havia endurecido o discurso contra o Brasil ao defender medidas relacionadas ao combate ao crime organizado transnacional e ao ampliar críticas à condução de temas considerados estratégicos pelos Estados Unidos.

Agora, ao mencionar o Brasil ao lado de regimes historicamente apontados pelos EUA como problemáticos na região, o secretário eleva o tom do embate diplomático e expõe publicamente o desconforto da Casa Branca com os rumos da relação bilateral.

Sinal político em ano pré-eleitoral

Outro trecho que chamou atenção foi a referência explícita ao processo eleitoral brasileiro.

Ao afirmar que o Brasil está “no meio de um ciclo eleitoral”, Rubio indicou que Washington acompanha de perto o cenário político brasileiro e considera que o resultado das eleições poderá influenciar o futuro da relação entre os dois países.

Na prática, a declaração foi interpretada por observadores em Washington como um recado político raro: os Estados Unidos enxergam hoje o Brasil fora do núcleo de governos considerados plenamente alinhados à estratégia americana para o Hemisfério Ocidental.

“É uma região cheia de aliados dos Estados Unidos”, afirmou Rubio. Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua ficaram fora dessa lista. Quase simultaneamente, Rubio era alvo do presidente Lula, em um evento em Catalão (GO), inaugurando a nova sede do Instituto Federal Goiano (IF Goiano).

Lula usou um tom bem duro, chamando Rubio de “anti-América Latina” e “inimigo mortal” de Cuba e outros países da região. Ele também repetiu que já tinha reclamado disso diretamente com Trump.

Ele (Rubio) é anti-América Latina, ele é o inimigo mortal de Cuba, é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump.”