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Patrícia Costa

Hotel que multiplicou preço em 80 vezes na COP30 não fechou reservas

Caso expõe distorções do mercado hoteleiro em Belém e reforça crise de hospedagem às vésperas da conferência climática

Patricia Costa

Vista da fachada do recém-renomeado Hotel COP30, localizado no centro de Belém, no estado do Pará
BRAZIL-UN-CLIMATE-COP30-HOTEL Anderson Coelho/AFP

A crise de hospedagem em Belém, cidade que vai receber a COP30 em novembro, ganhou um símbolo nesta semana. Um hotel local, que chegou a mudar de nome para “Hotel COP30”, decidiu multiplicar suas diárias em até 80 vezes o valor habitual. O resultado, no entanto, foi o oposto do esperado: nenhum cliente fechou reserva. O caso revela o desequilíbrio do mercado hoteleiro diante da conferência climática. Com uma demanda estimada em mais de 50 mil visitantes, os preços dispararam: diárias chegam a variar entre R$ 1,8 mil e R$ 22 mil, colocando em xeque a capacidade de Belém de receber um evento de escala global. O governo federal já anunciou 26 mil leitos extras, com uso de navios de cruzeiro, escolas adaptadas e novos empreendimentos. Ainda assim, apenas um quarto das delegações internacionais tem hospedagem garantida até agora. Levantamento recente mostra que 78% das representações diplomáticas citam os preços como principal barreira para confirmar presença.

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A situação preocupa porque ameaça a inclusão e a representatividade da conferência. ONGs, povos indígenas e países mais pobres, historicamente os que mais sofrem os impactos da crise climática, correm o risco de ficarem de fora justamente do maior espaço de negociação ambiental do planeta. A repercussão já ultrapassou as fronteiras. A ONU convocou uma reunião emergencial para tratar do tema, e parte da comunidade internacional pediu que o Brasil considerasse alternativas. O governo, porém, descarta a hipótese de mudança de sede e insiste que não há “plano B”. O episódio do hotel que tentou lucrar de forma desproporcional — e acabou sem clientes — é um retrato claro do desafio que Belém enfrenta: como equilibrar hospitalidade, preços justos e organização em um momento em que o mundo estará de olhos voltados para a Amazônia.

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