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Patrícia Costa

MPF defende vetos importantes da nova lei de licenciamento ambiental

Procuradoria alerta para retrocessos em mais de 30 dispositivos que enfraquecem proteção socioambiental

Patricia Costa

LULA SANÇÃO PL ANIMAIS TESTES COSMÉTICOS
LULA SANÇÃO PL ANIMAIS TESTES COSMÉTICOS TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou formalmente ao Planalto uma nota técnica que recomenda o veto de mais de 30 dispositivos do Projeto de Lei 2159/2021, a chamada “Lei Geral do Licenciamento Ambiental”. Aprovada em julho de 2025 pelo Congresso, a norma foi alvo de críticas por conter pontos que comprometem a proteção ambiental e violar preceitos constitucionais e tratados internacionais Segundo o documento elaborado pelos órgãos superiores da Procuradoria-Geral da República, entre eles a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural e a Câmara dos Povos Indígenas, o texto incorpora dispositivos considerados retrocesso socioambiental. Estão incluídas a criação de modalidades de licenciamento mais permissivas, como a Licença Ambiental Especial (LAE) e o autolicenciamento; a dispensa de licenciamento em setores estratégicos como agronegócio e infraestrutura; renovação automática de licenças; exclusão da participação da Funai em empreendimentos que impactem territórios ainda não homologados; além da retirada do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e flexibilização de regras da Mata Atlântica.

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O MPF alerta que essas mudanças “esvaziam instrumentos essenciais” da política ambiental brasileira e ameaçam direitos fundamentais garantidos pela Constituição, como o direito ao meio ambiente equilibrado e à consulta prévia de povos originários, conforme a Convenção 169 da OIT. Essas disposições conflitam ainda com jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal e podem expor o Brasil a processos em cortes internacionais de direitos humanos, como a CIDH. Os procuradores também questionam a legitimidade técnica e legal do processo: conforme o MPF, o texto aprovado é apresentado como um avanço administrativo, mas, na prática, abre brechas para o “desmonte generalizado do sistema de licenciamento ambiental” — permitindo empreendimentos de grande impacto socioambiental com base em declarações dos próprios interessados, sem fiscalização externa ou análise técnica adequada. O projeto foi aprovado pelo Congresso em 17 de julho. Agora, cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir entre sancionar ou vetar integralmente ou parcialmente a lei até 08 de agosto. O MPF defende o veto desses dispositivos como forma de manter a integridade da legislação ambiental e garantir a defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

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