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Thiago Uberreich

A conquista do penta completa 23 anos e o Brasil ainda é o mais vitorioso em Copas

A superação de Ronaldo foi um dos pontos mais emblemáticos do título da seleção nacional

Thiago Uberreich

A torcida da Seleção Brasileira faz festa nas arquibancadas do Yokohama International Stadium durante a partida final entre Brasil e Alemanha
Campeonato Mundial de Futebol de 2002 na Coréia/Japão PAULO PINTO/ESTADÃO CONTEÚDO

A palavra hegemonia resume bem o significado da conquista brasileira da Copa de 2002 (disputada no Japão e na Coreia do Sul), oito anos depois do tetracampeonato, nos Estados Unidos. Desde o primeiro mundial, em 1930, nunca uma seleção tinha conseguido abrir dois títulos de vantagem sobre os adversários, no caso Itália e Alemanha que, na época, possuíam três conquistas. O pentacampeonato foi a última vitória expressiva do Brasil que, em 2026, só poderá ser igualado por Alemanha ou Itália, tetracampeãs. Ou seja, serão quase três décadas de uma liderança incontestável no futebol do planeta, apesar das grandes decepções das últimas cinco Copas, como a malfadada derrota para os alemães, por 7 a 1, em 2014. 

A cultura esportiva brasileira é realmente cruel: a seleção do penta parece ser mais reverenciada no exterior do que aqui no país. Essa equipe deve ser motivo de orgulho para os fãs do futebol bonito e bem jogado. Das cinco conquistas brasileiras, as equipes de 1970 e 2002 são as únicas que venceram todos os jogos, algo que apenas o Uruguai, em 1930, e a Itália, em 1938, também conseguiram. 

As seleções do tri e do penta também são as mais ofensivas entre as cinco campeãs: a de 70 marcou dezenove gols em seis jogos, e a de 2002 fez dezoito em sete partidas. Com Ronaldo Fenômeno, que marcou oito gols, a equipe nacional voltou a ter o artilheiro da Copa depois de décadas. A história do Mundial de 2002 também é marcada pela superação pessoal do camisa 9 do Brasil, que foi do inferno ao céu: da derrota para a França, na final de 1998, passando pelas gravíssimas contusões no joelho, que quase o inviabilizaram para o futebol, até a volta por cima na conquista do pentacampeonato, com direito a dois gols na finalíssima contra os alemães, há exatos 27 anos. Ronaldo repetiu o feito de Pelé, que na decisão de 1958, diante da Suécia, balançou as redes adversárias duas vezes. 

Aquele Mundial também é lembrado pelos brasileiros por causa da diferença de fuso em relação à Ásia. O duelo contra a Inglaterra, por exemplo, pelas quartas de final, começou às 3h30 da madrugada (horário de Brasília). Os fanáticos por Copa, que sempre assistem a todos os jogos, penaram para ficar acordados. Muita gente colocava despertador, mas, às vezes, não acordava ou voltava a pegar no sono no meio das partidas. 

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Há 27 anos, a equipe comandada por Luiz Felipe Scolari vencia a Alemanha, em Yokohama, por 2 a 0 e conquistava o penta. A imagem do capitão Cafu, que quebrou o protocolo ao subir em um pedestal para receber a taça de campeão, me marcou para sempre. O brilho nos olhos do camisa 2 deve servir de exemplo para o futebol brasileiro voltar a vencer. 

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