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Thiago Uberreich

A rivalidade entre Pelé e Bobby Moore virou amizade fora dos gramados

Os dois jogadores se enfrentaram na Copa de 1970 em um duelo histórico

Thiago Uberreich

Russell Martin, hoteleiro inglês e colecionador apaixonado por memorabilia esportiva, exibe uma de suas peças favoritas — uma ilustração autografada de Pelé, ídolo do futebol brasileiro, e Bobby Moore, lenda da Inglaterra, trocando um aperto de mãos após uma partida — durante coletiva de imprensa na Cidade do Cabo, em 29 de junho de 2010, à margem da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Martin começou sua coleção há 40 anos, aos 14, com um único autógrafo e hoje possui mais de mil itens.
AFP__20100629__DV779562__v1__MidRes__FblWc2010FeatureMemorabilia2 Rodger Bosch/AFP

Ao final do jogo entre Brasil e Inglaterra, em 7 de junho de 1970, em Guadalajara, no México, pela primeira fase do mundial, Pelé e o capitão Bobby Moore se abraçaram e trocaram camisas. Em campo, estavam as duas seleções campeãs das três Copas anteriores, e foi um duelo de gigantes vencido pela equipe comandada pelo técnico Zagallo: 1 a 0, gol de Jairzinho, aos 15 minutos do segundo tempo. 

A manchete principal da edição do dia seguinte do jornal O Globo fazia referência ao abraço dos craques: “Bobby Moore enxugou as lágrimas na camisa 10 do Rei Pelé”. O jornal citava Jair, autor do único gol da partida: “Jairzinho, o búfalo rompedor, já é a grande estrela da Copa. Num jogo em que Pelé esteve severamente marcado e em que Tostão denunciou dificuldades contra a muralha defensiva inglesa, coube-lhe a glória da decisão, com um ‘goal’ de verdadeiro craque.”

O tabloide inglês The Sun publicou que a seleção brasileira marcou um gol esplendoroso que nenhum “cintura-dura” europeu teria condições de fazer: “Os brasileiros foram dançarinos de samba e malabaristas”. Era a vitória do futebol arte sobre o futebol força. 

Depois da vitória brasileira, a imprensa mundial registrou que, no dia seguinte, Bobby Moore visitou à concentração do Brasil. De acordo com a revista Veja, os jornalistas especularam que ele foi pedir aos brasileiros para que não facilitassem a partida seguinte, contra a Romênia, já que, em caso de vitória da seleção do leste europeu, a Inglaterra corria o risco de ficar de fora das quartas de final. Oficialmente, Bobby Moore foi pedir para que Pelé emprestasse a bola do gol mil, marcado no ano anterior, para uma exposição. 

Russell Martin, hoteleiro inglês e colecionador apaixonado por memorabilia esportiva, exibe uma de suas peças favoritas — uma ilustração autografada de Pelé, ídolo do futebol brasileiro, e Bobby Moore, lenda da Inglaterra, trocando um aperto de mãos após uma partida

Russell Martin, hoteleiro inglês e colecionador apaixonado por memorabilia esportiva, exibe uma de suas peças favoritas — uma ilustração autografada de Pelé, ídolo do futebol brasileiro, e Bobby Moore, lenda da Inglaterra, trocando um aperto de mãos após uma partida (Rodger Bosch/AFP)

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Em 1971, quando Pelé se despediu da seleção, Bobby Moore fez questão de viajar ao Rio de Janeiro para assistir ao duelo contra a Iugoslávia, no Maracanã. O capitão da Inglaterra, que em 1966 ergueu a taça Jules Rimet, em Wembley, quis reverenciar o Rei. Foi uma amizade que durou décadas, até a morte do atleta inglês, em 1993. 

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