Duelo entre Argentina e Inglaterra na Copa vai além da ‘mão de Deus’ de Maradona
Depois da Espanha dar uma aula tática e despachar a França da Copa, agora é a vez de saber quem se dará melhor em um cenário de rivalidade histórica. Argentina e Inglaterra jogam em Atlanta, às 16h (horário de Brasília), em um duelo cercado de fatos marcantes e polêmicos, como em 1966, em Wembley, pelas quartas de final do mundial. A dona da casa venceu o adversário por 1 a 0. O gol foi de Hurst aos 33 do segundo tempo. No entanto, a atuação desastrosa do árbitro alemão Rudolf Kreitlein entrou para os anais do futebol. O jogo quase provocou um incidente diplomático.
O argentino Rattin reclamou inúmeras vezes da violência dos ingleses. Ainda no primeiro tempo, o juiz perdeu a paciência e expulsou verbalmente o jogador, pois ainda não havia cartões amarelo e vermelho. O atleta chegou a pedir um intérprete para explicar o que tinha dito ao árbitro alemão, mas não foi atendido. Kreitlein não entendia uma palavra do espanhol e depois, na súmula, escreveu que tinha sido ofendido pelo jogador argentino. Rattin demorou para sair de campo, fez gestos obscenos para a torcida e esfregou a mão na bandeirinha de escanteio que levava as cores inglesas.
O técnico Alf Ramsey chamou os argentinos de “animais” e eles retrucaram: “ladrões das Ilhas Malvinas”. Rattin, falando ao jornalista Teixeira Heizer, em O jogo bruto das Copas do Mundo, afirmou: “O árbitro estava ajustado com Rouss (Stanley Rouss, presidente da Fifa). Perdemos no apito. Mas eu mostrei que na América também tem homem.” A Fifa puniu Rattin e a AFA (Associação de Futebol Argentino). Depois de tanta confusão, a partir de 1970 seriam instituídos os cartões amarelo e vermelho. Assim todo mundo se entenderia dentro do gramado.
Na memória dos argentinos, está o duelo da Copa de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México, pelas quartas de final. Cerca de 120 mil pessoas começaram a ter certeza de que o mundial seria de Diego Armando Maradona. Aos seis minutos do segundo tempo, ele fez um gol “genial” com as mãos, em uma disputa pelo alto com o goleiro inglês Peter Shilton. Em tempos sem VAR, foi a “mano de Dios”, a “mão de Deus”, como o lance ficou conhecido. Mas, três minutos depois, o “Pibe de Oro” deu mostras que não sabia apenas ganhar o jogo na malandragem. O camisa 10 pegou a bola no meio-campo e foi driblando os adversários até balançar as redes, em um dos gols mais fantásticos de todos os tempos. Lineker ainda diminuiu aos 36 minutos, o sexto dele, artilheiro da Copa.
Agora, quarenta anos depois, o duelo nos Estados Unidos promete. Deixo algumas perguntas no ar. Será que a Argentina terá físico, depois de três duelos desgastantes, no mundial e vai conseguir chegar à segunda final seguida? Bellingham e Kane serão mais uma vez protagonistas? O “English Team” voltará à decisão, depois de 60 anos?
Que seja um grande jogo.