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Thiago Uberreich

O Mundial com 64 seleções, como já cogita a Fifa, pode ser bom e ruim ao mesmo tempo

Nova ampliação acabaria com a classificação de terceiros colocados na fase de grupos

Thiago Uberreich

Taça da Copa do Mundo
TroféTaça da Copa do Mundou copa do mundo taça HEULER ANDREY/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

Antes da Copa com 48 seleções começar, a Fifa foi criticada ao extremo por ampliar o número de participantes. Depois da bola rolar, no entanto, o formato inchado não prejudicou o espetáculo. O mundial surpreendeu o planeta bola, a ponto da entidade máxima do futebol passar a cogitar 64 equipes para 2030. É claro que a Federação só está preocupada com dinheiro e lucro. Por outro lado, seria uma Copa mais justa e puniria o “defensivismo” e o anti-jogo. 

Explico: o mundial de 2026 resgatou a classificação de terceiros melhores colocados entre os grupos, o que já existiu em 1986, 1990 e 1994. Entretanto, com 64 equipes, só os dois primeiros de cada chave passariam para os dezesseis avos de final. O problema é que o mundial com 72 jogos na primeira fase já foi bem difícil de acompanhar. E com 96? 

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, detalhou que o debate sobre a nova ampliação será feito a partir do segundo semestre: “(…) Essa é definitivamente uma questão que será discutida nos comitês relevantes após esta Copa do Mundo. Ao organizar uma Copa, é importante organizá-la para o mundo inteiro — não apenas para a Europa e América do Sul, mas para o mundo inteiro. Toda nação deveria poder sonhar em participar. Você pode ver que a qualidade das equipes é extremamente alta — e está cada vez mais alta, em todo o mundo. Se você não der a chance de países menores participarem, eles perderão o incentivo para continuar melhorando. (…)”.  O que o dirigente fala publicamente não deve ser levado em conta. Ele não está preocupado em dar espaço para mais seleções. O objetivo é ganhar dinheiro com novos mercados consumidores e com as cotas de televisão. 

O francês Jules Rimet (1871-1956), terceiro presidente da Fifa e que tirou a Copa do papel, em 1930, no Uruguai, foi quem mais lutou para tornar realidade um campeonato de seleções. A ampliação para 64 participantes poderá marcar o mundial do centenário, em 2030, que terá como organizadores  Uruguai, Argentina, Paraguai, Espanha, Portugal e Marrocos.

Abaixo, veja a evolução dos participantes a cada edição: 

  • 1930: 13 seleções
  • 1934: 16 seleções
  • 1938: 16 seleções
  • 1950: 13 seleções
  • 1954 a 1978: 16 seleções
  • 1982 a 1994: 24 seleções
  • 1998 a 2022: 32 seleções
  • 2026: 48 seleções