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Thiago Uberreich

Qualquer convocação não é unânime e a escolha do elenco de 2002 comprova isso

Felipão teve de aguentar as pressões para levar Romário, que ficou de fora da conquista do penta

Thiago Uberreich

Elenco da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002 perfilado antes da final contra a Alemanha
Copa do Mundo de Futebol 2012 PAULO PINTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Carlo Ancelotti chegou com pompa à seleção brasileira e já anunciou a primeira lista de convocados. Qualquer escolha nunca será unânime, e a história mostra bem isso. Em 2002, Luiz Felipe Scolari confirmou os jogadores para a disputa da Copa que seria organizada em conjunto por Japão e Coreia do Sul. Era massacrante a pressão para que Romário fosse chamado. O treinador anunciou os 23 atletas para o Mundial no dia 6 de maio daquele ano:

Convocação para a Copa do Mundo de 2002

  • Goleiros: Marcos (Palmeiras), Dida (Corinthians) e Rogério Ceni (São Paulo)
  • Zagueiros: Anderson Polga (Grêmio), Roque Júnior (Milan), Lúcio (Bayer Leverkusen) e Edmílson (Lyon)
  • Laterais: Cafu (Roma), Belletti (São Paulo), Roberto Carlos (Real Madrid) e Júnior (Parma)
  • Volantes: Emerson (Roma), Kléberson (Atlético-PR), Gilberto Silva (Atlético-MG) e Vampeta (Corinthians)
  • Meias: Rivaldo (Barcelona), Kaká (São Paulo) e Juninho Paulista (Flamengo)
  • Atacantes: Ronaldo (Internazionale), Ronaldinho Gaúcho (PSG), Edílson (Cruzeiro), Luizão (Grêmio) e Denílson (Bétis)

A maioria dos convocados atuava no Brasil, doze, algo inédito desde a Copa de 1986, no México. A média de idade era de 26,1 anos e qualquer mudança na lista poderia ser feita até o dia 21 daquele mês. Da relação original, Emerson, capitão brasileiro, foi cortado e substituído por Ricardinho, do Corinthians (subindo para treze o número de atletas que atuavam no país). 

Já o departamento médico do Barcelona alertou que Rivaldo estava em más condições físicas e poderia não aguentar todas as partidas da Copa. O camisa 10 se recordou das dificuldades da transição 1998-2002: “Foi muito difícil para todos e principalmente para mim, pois eu fui muito criticado em muitos jogos do Brasil. Todos os torcedores gostariam que eu jogasse como no Barcelona, mas é totalmente diferente. Você, quando atua pelo seu clube, treina todos os dias com os mesmos companheiros e quando você vai para a seleção é completamente diferente. Ainda tinha a questão do treinador, que foram vários até chegar o Felipão”.

Na entrevista à imprensa, o técnico brasileiro foi questionado, claro, sobre a ausência de Romário. O treinador deixou claro: “É uma opção minha. Sou técnico da seleção e quero ter a oportunidade de dizer: escolhi esses jogadores por entender que eles são os melhores para esse momento. Agora, na base da força e da pressão, não. Ninguém vai me fazer mudar de ideia”

Anos depois, Felipão deu a seguinte justificativa ao falar sobre Romário: “A decisão [de não o convocar] foi observando que eu, com aquele tipo de jogador, naquela posição e jogando daquela forma, não teria as mesmas condições que tive na seleção brasileira jogando com outro nome. Teria que jogar de uma forma diferente. Não sei se as características dos jogadores casariam perfeitamente. Então eu optei”. Antes de anunciar a lista, o treinador foi alertado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre o risco de deixar de fora um nome de peso como o de Romário: “Ricardo Teixeira me chamou para uma reunião antes da convocação. Ele não queria saber os convocados, mas disse assim: ‘Pensa, se convocar determinado jogador e for campeão, sem problemas; se não convocar e não formos campeões, eles te matam. A decisão é sua’. Tudo bem, tomei a decisão e pronto”.

Os jornais avaliavam que Luiz Felipe Scolari estava assumindo um risco de fracasso na Copa ao não convocar Romário. Já Tostão, tricampeão em 1970 e colunista da Folha de S.Paulo, elogiou o técnico por insistir na recuperação de Ronaldo. Em relação a Romário, as palavras foram proféticas: “(…) Temos de reconhecer a coerência e a coragem do treinador em não se intimidar com a pressão para a convocação de Romário. A seleção não vai ganhar nem perder por causa da ausência do Baixinho” .

Outro jogador que ficou de fora da Copa foi Djalminha, do La Coruña. Em primeiro de maio de 2002, o jogador deu uma cabeçada no técnico do clube espanhol, Javier Irureta, depois de um desentendimento. O ato de indisciplina foi decisivo para a não convocação. Antes do anúncio de Felipão, a imprensa já especulava que Kaká poderia ser o substituto de Djalminha.

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Emerson, da Roma, que seria o capitão da seleção na Copa, se contundiu na véspera da estreia da seleção e foi substituído por Ricardinho, do Corinthians. Consequentemente, o lateral direito Cafu assumiu a braçadeira e ergueria a taça do penta em 30 de junho de 2002, em Yokohama, depois da vitória brasileira sobre a Alemanha por 2 a 0, gols de Ronaldo. 

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