Teimosos: a razão muda com o marcador
A crise entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, ainda por resolver, pode acabar exatamente assim. Jesus entrou nesta história com quatro vitórias e a classificação já feita. A sondagem da Pitagórica Instituto, em Portugal, aponta 42 por cento do lado do selecionador, 14 do lado do capitão e 84 por cento a desejar que o treinador fique.
Enquanto a seleção ganhar, o banco de Ronaldo lê-se como gestão e a saída da concentração como birra. Até o recado da entrevista coletiva — “posso prometer o que quiser”, “nem um presidente” — passa por firmeza.
Os gols de Gonçalo Ramos ajudam: o substituto justifica o treinador. A mesma sequência inverte-se no dia em que a bola deixar de entrar. O aquecimento longo sem utilização, a conferência e a ausência do maior marcador da história da seleção deixam de ser comando e passam a erro.
A opinião não precisa de fatos novos. Reescreve os que já existem. Portugal volta a jogar em novembro, com a fase de grupos resolvida. Um tropeço isolado não gera crise. Uma eliminação nas quartas, ou uma série sem gols, vira. Aí Ronaldo não precisa de pedir desculpa nem de voltar.
Basta estar de fora e a seleção falhar.
Jesus, pelo contrário, precisa que o rendimento continue a encobrir a forma como o caso foi conduzido. Dois teimosos, dois preços diferentes. A teimosia do treinador aguenta enquanto o placar ajudar. A do jogador espera pelo primeiro resultado que a torne, digamos, justa. Se ninguém ceder antes, o resultado fecha o caso.
Até a próxima.