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Macroeconomia

Alckmin defende negociação urgente de tarifas e diz que há pouca preocupação sobre as investigações dos EUA

Segundo o vice-presidente, esse é o 'sentimento geral', incluindo Lula, os empresários brasileiros (dos setores industrial, do agronegócio, de serviços e do comércio) e as empresas americanas

Felipe Cerqueira

Alckmin fala em empenho para reverter tarifas dos EUA em reunião com empresariado
Alckmin fala em empenho para reverter tarifas dos EUA em reunião com empresariado WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira (16), que o governo brasileiro quer negociação urgente, mas não vê problema se for preciso prorrogar o início da vigência das tarifas pelos Estados Unidos. As novas cobranças começam a partir de 1º de agosto, segundo anúncio do presidente americano, Donald Trump.

“Nós queremos negociação, é urgente. O bom é que se resolva nos próximos dias”, afirmou Alckmin a jornalistas após reunião com o presidente da Câmara Americana de Comércio para Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, nesta tarde, na sede do MDIC. Ele completou: “Se houver necessidade nessa negociação de prorrogar o prazo para início das tarifas, não vejo problema”.

Segundo ele, esse é o “sentimento geral”, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os empresários brasileiros (dos setores industrial, do agronegócio, de serviços e do comércio) e as empresas americanas. “Os Estados Unidos, o segundo maior superávit que eles têm é com o Brasil. Se cai o comércio, eles vão perder um dos poucos países com que eles têm superávit. Então, não tem lógica, por isso o empenho para resolver”, disse ainda o vice-presidente.

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Investigação americana não é inédita

Alckmin disse que há pouca preocupação do governo federal sobre as investigações anunciadas pelos Estados Unidos sobre aspectos da economia brasileira, incluindo o Pix. “Não é a primeira vez que é feito isso. Da outra vez explicamos e vamos explicar”, afirmou a jornalistas após a série de reuniões que teve com o setor produtivo durante esta quarta-feira (16).

O foco do Executivo, segundo Alckmin, segue sendo reverter as tarifas de 50% para exportações brasileiras a partir de 1º de agosto. “O que temos que resolver é a questão tarifária. Ela não se justifica nesse patamar.” Sobre as questões alvo da investigação, o vice-presidente elencou respostas. Sobre o Pix, disse se tratar de um meio de pagamento modelo e de sucesso. Quanto ao desmatamento, também alvo dos EUA, Alckmin afirmou que o País tem reduzido o problema com a meta de zerá-lo.

O tempo de processos para registrar patentes no Brasil, outra reclamação do governo de Donald Trump, tem sido reduzido, apontou o vice-presidente. “Registrar patente demorava sete anos Caiu para quatro e deve cair para dois até o final do ano que vem.”

Comitê interministerial

O nomeado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais foi oficializado no decreto que regula a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/25). Como primeira missão, o grupo terá o objetivo de ouvir os setores empresariais para detectar as implicações do anúncio, pelos EUA, de tarifas de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, a partir do dia 1º de agosto.

Nesta quarta, foram realizadas três reuniões com o setor produtivo para discutir ações contra as tarifas anunciadas pelos EUA. Até aqui, a principal proposta do empresariado é de buscar pelo menos mais 90 dias de discussão e evitar retaliações o quanto for possível. Representantes do setor agropecuário pediram cautela ao Executivo nas negociações e que as tratativas sejam esgotadas até 31 de julho.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Carolina Ferreira

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