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Macroeconomia

Haddad critica tarifaço de Trump, defende autonomia do Brasil e rebate Tarcísio: ‘É candidato a presidente ou a vassalo’

Ministro da Fazenda reagiu à taxação anunciada pelos EUA e classificou medida como agressão ao país; ele também rebateu o governador Tarcísio de Freitas e apontou ação coordenada da família Bolsonaro

Aline Becketty

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assiste sessão plenária "Fortalecimento do Multilateralismo, Assuntos Econômico-Financeiros e Inteligência Artificial" durante a 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), na cidade do Rio de Janeiro
Cúpula do Brics no Rio Renan Areias/Enquadrar/Estadão Conteúdo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou duramente a decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto. A medida foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de uma carta com duras críticas à condução dos processos judiciais contra Jair Bolsonaro (PL), classificados por Trump como uma “caça às bruxas”.

Em entrevista ao canal Barão, Haddad reagiu com indignação e apontou motivação política por trás da taxação. “A única explicação plausível para o que aconteceu ontem é que a família Bolsonaro urdiu o ataque ao Brasil.” Para o ministro, a taxação anunciada representa uma agressão grave às relações comerciais bilaterais, sem base econômica real. “É um dia ruim, não resta dúvida, é uma agressão que vai ficar marcada.”

Haddad ressaltou que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil, inclusive com isenção de tarifas em diversos setores. “Dos dez produtos que os Estados Unidos mais exportam para o Brasil, oito têm tarifa zero.” Além de responder diretamente a Trump, Haddad fez críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que demonstrou apoio à medida americana. “Tarcísio errou muito. Ou é candidato a presidente, ou é candidato a vassalo.”

O ministro também reforçou que o Brasil seguirá uma agenda internacional soberana e multilateral, sem alinhamento automático a blocos. “O Brasil é grande demais para ser apêndice de um bloco econômico.”

Segundo Haddad, a medida anunciada por Donald Trump carece de fundamentos econômicos concretos e desconsidera o papel estratégico que o Brasil desempenha nas cadeias globais de produção e comércio. O ministro destacou que o país tem ampliado consistentemente suas exportações, diversificado parceiros e defendido uma nova lógica para o comércio internacional — baseada em regras mais equilibradas e sustentáveis.

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Nesse contexto, o governo brasileiro continua priorizando uma agenda externa multilateral, mantendo negociações ativas com a União Europeia, China e outros parceiros estratégicos, com o objetivo de ampliar acordos comerciais e impulsionar a reindustrialização do país com base na complementaridade econômica e na inserção qualificada do Brasil no cenário global.

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