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Macroeconomia

Haddad faz apelo para EUA não usarem economia ‘como mecanismo de guerra ideológica’

Ministro da Fazenda disse que objetivo do governo brasileiro é 'sensibilizar' a gestão de Donald Tump, que aplicou tarifa de 50% ao Brasil alegando perseguição a Jair Bolsonaro no país

Felipe Cerqueira

Haddad
COLETIVA MJ OPERAÇÃO CRIME ORGANIZADO Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um apelo para que os Estados Unidos não utilizem a economia “como mecanismo de guerra ideológica” contra o Brasil, em um momento de crescentes tensões diplomáticas entre os dois países. A declaração de Haddad sublinha a preocupação do governo brasileiro com a instrumentalização de medidas econômicas em disputas de cunho político. “Todo o objetivo do governo brasileiro tem sido esse de sensibilizar as autoridades americanas para não confundir as coisas, né? E nem usar a economia — ou seja, o dólar, a tarifa, seja o que for, como mecanismo de guerra ideológica”, afirmou Haddad.

A manifestação do ministro se alinha à posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que publicou um artigo no jornal The New York Times, neste domingo (14), abordando a imposição de tarifas extras de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Lula classificou as taxas como “não apenas equivocadas, mas também ilógicas” e “infundadas” economicamente, atribuindo sua motivação a interesses políticos da Casa Branca. Segundo o presidente, as medidas visam defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

O governo americano, por sua vez, tem intensificado as ameaças de sanções ao Brasil, alegando perseguição política contra Bolsonaro. Nesta segunda-feira (15), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que seu governo tomará novas medidas contra o Brasil em decorrência da condenação do ex-presidente. Rubio criticou a decisão do STF como um “acontecimento sombrio” e “mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial”, sem mencionar nomes, mas fazendo referência a “juízes ativistas” e “reivindicações extraterritoriais”.

Lula, em seu artigo, defendeu a decisão histórica do STF, afirmando que ela protege as instituições e o Estado democrático de Direito, e que o julgamento foi conduzido de acordo com a Constituição. Ele também rebateu outras acusações de Washington, como a de que a regulação das redes sociais no Brasil visa censurar a liberdade de expressão, classificando o argumento como “desonesto” e destacando a busca por proteção contra fraudes, desinformação e discurso de ódio.

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Além disso, Lula defendeu o Pix, alvo de investigação comercial do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), e as políticas ambientais brasileiras. As tensões já levaram a medidas como a revogação de vistos de ministros do STF e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos contra Bolsonaro no Supremo. 

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