Justiça japonesa decide manter prisão de Carlos Ghosn por mais 10 dias
A Justiça do Japão decidiu nesta quarta-feira (21) manter a prisão do presidente do conselho da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, por mais dez dias. Ele foi detido na segunda-feira (19), suspeito de cometer o crime de fraude fiscal enquanto era presidente da companhia japonesa, cargo que ocupou até o ano passado.
Segundo a agência de notícias Kyodo News, Ghosn, que também é presidente da Renault e da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, é suspeito de não declarar nos relatórios anuais de valores mobiliários da empresa 100 milhões de ienes em remuneração de uma subsidiária holandesa, o que corresponde a cerca de R$ 3,3 milhões.
A quantia, segundo a agência, é muito menor do que havia sido sugerido no dia anterior por fontes envolvidas no caso. A suspeita é que ele tenha arrecadado o valor com a compensações baseada em preços de ações.
Os promotores de Tóquio alegam que a subsidiária desempenhou um papel fundamental no escândalo financeiro que explodiu na montadora japonesa.
O crime de fraude fiscal pode ser penalizado com 10 anos de prisão, o pagamento de 10 milhões de ienes em multa ou os dois. A empresa, por sua vez, pode pagar uma multa de 700 milhões de ienes.
O diretor-representante da Nissan, Greg Kelly, que foi preso no mesmo dia que Ghosn, também teve sua prisão prorrogada. Ainda de acordo com a Kyodo News, as investigações mostram que ele instruiu o presidente do conselho e outros funcionários a fazerem declarações falsas nos relatórios de valores mobiliários da montadora japonesa.
Nesta terça-feira (20), a Renault nomeou Thierry Bolloré, braço direito de Ghosnn na empresa, como presidente interino. O brasileiro, no entanto, foi mantido cargo.
Já a Nissan planeja demitir Ghosn, assim como a Mitsubishi, que deve anunciar a decisão na semana que vem.
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