Nova tarifa dos EUA contra exportações do Brasil é ‘injusta’ e ‘descabida’, diz Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quinta-feira (16) que a tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos contra exportações brasileiras é “injusta” e “descabida”. Disse também que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a aplicação da sobretaxa partiram de uma “base totalmente falsa”.
Em conversa com jornalistas por telefone, na quarta-feira (15), o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamierson Greer, disse que a investigação feita sob a autoridade da Seção 301 concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos. Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
- Falhas no combate à corrupção;
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Alckmin declarou que o governo brasileiro aplicará a Lei da Reciprocidade contra a medida dos Estados Unidos “no momento adequado”. O vice-presidente informou que o Executivo implementará um programa de apoio aos setores afetados e trabalhará na expansão da diversificação de mercado. Disse que os acordos de comércio Mercosul firmados com Singapura, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e União Europeia (UE) contribuirão para esse propósito.
O vice-presidente ainda destacou que o Brasil tem batido recorde de exportações. Em 2025, as vendas de produtos brasileiros ao exterior totalizaram US$ 348,7 bilhões.
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