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Macroeconomia

Tarifas dos EUA geram incertezas e podem ter efeitos setoriais e cambiais, aponta Fazenda

Pasta aponta que o Brasil pode até experimentar efeitos deflacionários em certos segmentos do mercado interno, mas enxerga impacto pouco significativo no crescimento de 2025

Felipe Cerqueira

Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, na coletiva do Boletim Macrofiscal
54647819869_c3316e17ea_k Washington Costa/MF

As novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros de setores estratégicos acenderam o alerta na área econômica do governo. A Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda, avalia que os impactos sobre o crescimento do PIB em 2025 devem ser limitados, mas admite que alguns setores industriais tendem a ser mais afetados, especialmente os ligados à indústria de transformação. “Considerando esse panorama, o impacto das tarifas tende a ser pouco significativo no crescimento de 2025, embora alguns setores da indústria de transformação possam ser especialmente prejudicados”, destacou a SPE em seu boletim mais recente.

Além da dimensão macroeconômica, o secretário Guilherme Mello ressaltou que os efeitos mais imediatos observados até agora foram no câmbio, com leve desvalorização do real. “O maior impacto é o câmbio, que teve uma pequena desvalorização nos últimos dias no real, mas nada que altere de maneira significativa as projeções brasileiras. Tem que observar o que vai acontecer nas próximas semanas.”

Na avaliação da Fazenda, o Brasil pode até experimentar efeitos deflacionários em certos segmentos do mercado interno, caso as tarifas sejam mantidas: “Brasil é um grande exportador de café, carne… Caso mantido as tarifas, pode significar a maior oferta no mercado doméstico e ter efeito deflacionário. É muito precoce qualquer impacto inflacionário”.

O relatório da SPE também destaca que as projeções fiscais e de crescimento divulgadas neste boletim ainda não incorporam os efeitos das tarifas norte-americanas: “Essas projeções ainda não consideram os impactos potenciais da elevação na tarifa de importação dos EUA para o Brasil de 10% para 50%”.

O secretário enfatizou ainda a dificuldade de se estimar impactos no momento atual, especialmente no que diz respeito a eventuais retaliações via tarifas de importação pelo Brasil: “Como se usa na lei da reciprocidade, mas não é algo que está dado, anunciado, construído, então é muito difícil trabalhar com hipóteses. Uma vez que nós tivermos informações mais claras sobre como esse processo vai terminar, obviamente vamos fazer as nossas simulações de impacto e trazer isso para dentro”.

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Pacote tributário e IOF: resposta fiscal busca compensar déficit

O Boletim também reforçou a pressão fiscal enfrentada pela União. Com uma projeção atualizada de déficit primário de R$ 97 bilhões para 2025, o governo precisou anunciar um contingenciamento de R$ 20,7 bilhões para cumprir a meta estabelecida pela LDO, que admite um limite de déficit de R$ 31,07 bilhões considerando o novo regime fiscal.

Parte desse esforço envolveu a reformulação da política tributária, após a revogação de medidas do Decreto 12.466/2025, que alterava a cobrança do IOF sobre operações de crédito, câmbio e previdência privada. A proposta original visava corrigir distorções, reduzir a regressividade e combater elisão fiscal, mas foi revertida parcialmente e, depois, suspensa pelo Congresso. O governo aguarda a aprovação de novas medidas pelo Congresso para consolidar o impacto sobre a arrecadação.

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