Chip quântico Willow do Google supera supercomputador por fator de 13 mil
O dado que separa esse teste dos anteriores é a verificabilidade. Resultados quânticos costumam ser difíceis de confirmar por máquinas clássicas. No caso do Quantum Echoes, a checagem pode ser feita por outros dispositivos quânticos ou pela própria física do sistema. O Google Quantum AI declarou que este é “o primeiro resultado quântico repetível e verificável que supera capacidade clássica”.
O algoritmo opera em quatro etapas. Na primeira, os 105 qubits interagem e espalham informação. Na segunda, um qubit é perturbado para criar caos controlado. Na terceira, o sistema reverte sua evolução, como se rebobinasse o tempo. Na quarta, mede-se o “eco” resultante para verificar quanto da informação original sobreviveu. Computadores clássicos não conseguem acompanhar a velocidade com que a informação quântica se espalha nesse tipo de operação.
Aplicação prática já testada
Em experimento paralelo, os pesquisadores usaram o Quantum Echoes para mapear a estrutura de moléculas. Simulação molecular é um dos campos onde a computação quântica promete resultados antes, principalmente em descoberta de fármacos e ciência de materiais. O próximo objetivo declarado do Google é construir um qubit lógico de longa duração, passo necessário para um computador quântico com correção total de erros. IBM, Intel e D-Wave trabalham no mesmo problema.
Computadores quânticos não vão substituir notebooks. A expectativa é que substituam os supercomputadores usados para treinar modelos de IA. O Willow não vai curar doenças amanhã, mas é o sinal mais claro até agora de que processadores quânticos estão saindo da teoria para virar ferramenta.
Fonte: Google Quantum AI, artigo publicado na Nature (2025), pesquisa em parceria com Universidade de Berkeley.