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Paul McCartney lança faixa silenciosa em protesto contra IA

Canção intitulada Bonus Track será uma gravação de um 'estúdio vazio', com uma sucessão de ruídos, e terá duração de 2 minutos e 45 segundos

Sarah Américo

O ex-beatle Paul McCartney
SaveClip.App_553916140_18533170768025976_8529686167197229614_n MJ Kim/Divulgação/

O ex-Beatle Paul McCartney anunciará, em dezembro, o lançamento de uma faixa silenciosa como parte de uma reedição especial do álbum Is this what we want? (É isso o que queremos?). A faixa, intitulada Bonus Track, será uma gravação de um “estúdio vazio”, com uma sucessão de ruídos, e terá duração de 2 minutos e 45 segundos. A ação faz parte de um protesto contra um projeto de lei que flexibiliza os direitos autorais em favor da inteligência artificial (IA).

A reedição do álbum será lançada em vinil no dia 8 de dezembro, com apenas mil cópias disponíveis, e incluirá a faixa inédita de McCartney. O álbum original, que já foi lançado em versão digital em fevereiro de 2025, reúne contribuições de mais de mil artistas, incluindo Annie Lennox, Damon Albarn, Jamiroquai e Max Richter. O objetivo é pressionar o governo britânico a rejeitar um projeto que permitiria que empresas de tecnologia usassem obras musicais para treinar modelos de IA sem a necessidade de autorização ou pagamento aos autores.

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O coletivo responsável pelo projeto, também chamado Is this what we want?, afirma que o álbum – composto por gravações feitas em estúdios e salas de espetáculos vazias – simboliza o impacto que as propostas do governo teriam sobre a indústria musical. “Ilustramos, através do silêncio, o vazio que as propostas podem causar na vida dos músicos e na economia criativa”, disseram os organizadores em comunicado.

McCartney, aos 83 anos, já havia se manifestado publicamente contra a flexibilização dos direitos autorais. Ele foi um dos 400 artistas, incluindo Elton John, Coldplay e Dua Lipa, que assinaram uma carta aberta pedindo ao governo britânico que proteja a indústria musical. O projeto de lei, que deverá ser apresentado em 2026, visa criar uma exceção na lei de direitos autorais, permitindo que empresas de IA usem conteúdo criativo sem a necessidade de pagar ou obter permissão dos artistas.

A proposta gerou grande indignação entre músicos e produtores. De acordo com uma pesquisa recente da associação UK Music, dois em cada três artistas e produtores acreditam que a IA representa uma ameaça para suas carreiras. O debate sobre o impacto da IA na indústria musical segue aquecido, com muitos defendendo que a tecnologia não pode ser usada para minar os direitos dos criadores de conteúdo.

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*Com informações da AFP