Raya, a nova princesa empoderada da Disney: essencial no atual momento da sociedade

Para Lina Mendes, dubladora da personagem no Brasil, ‘Raya mostra que a mulher poder ser o que ela quiser’

  • Por William Amorim
  • 13/03/2021 14h45 - Atualizado em 13/03/2021 14h46
Reprodução/Disney/Arquivo PessoalLina Mendes dublou a protagonista de "Raya e o Último Dragão", nova animação da Disney

Raya não é uma donzela indefesa e seu sonho não é encontrar um príncipe encantado. Assim como nas animações “Frozen” e “Moana”, “Raya e o Último Dragão” apresenta a história de uma jovem que foge do padrão das clássicas princesas da Disney. A atriz Lina Mendes, que dubla a protagonista no Brasil, contou que foi cativada pela força de Raya e por ela possuir características que geralmente são dadas a personagens masculinos. “Ela é uma guerreira que quer que o mundo seja salvo e mostra que a mulher poder ser o que ela quiser. Foi muito emocionante dar voz a essa personagem tão forte”, comentou a artista em entrevista à Jovem Pan. O filme estreou no Brasil no dia 4 de março, mas sua bilheteria foi prejudicada pela pandemia – principalmente com a volta da Fase Vermelha da quarentena em várias regiões do país. O título também está disponível no Disney+, mas para acessá-lo é preciso pagar um valor extra.

Após perder o pai, Raya se torna uma menina fechada e tem dificuldade em acreditar nas pessoas. Para Lina, isso torna a personagem complexa e interessante. Além de não ter uma história de amor como trama central, a atriz ressaltou que a figura feminina domina o filme e, diferentemente de outras animações do gênero, a animação não é um musical. “O filme é diferente de tudo o que se espera. Eu sou da geração de princesas da Disney, mas acho que a Raya já se tornou a minha princesa favorita, porque acredito que ela é essencial e necessária para o atual momento da sociedade”, afirmou Lina, que já possui uma carreira sólida no ramo da dublagem.

Dublagem como alternativa

O processo de dar voz a uma personagem foi definido por Lina como “complexo”, pois cada dublador faz isso sozinho. “Precisa ter uma base como atriz e não participamos de todos os processos. Basicamente, a gente escuta o áudio original no fone, o diretor dá uma prévia do filme, a gente assiste, ensaia para pegar a sincronização e depois gravamos. É um trabalho detalhista”, explicou a atriz, que entre suas dublagens favoritas está a da personagem Violeta, da animação “Os Incríveis”, e a da protagonista de “Coraline e o Mundo Secreto”. Com trabalhos no teatro e na ópera, Lina precisou se reinventar por causa da pandemia e, desde o ano passado, tem feito muitas dublagens em casa. “O ano de 2020 foi muito difícil. Continuei trabalhando com dublagem, fiz duas apresentações de lives e participei de algumas transmissões de concertos, mas tudo que era presencial foi cancelado”, disse a artista.

A pandemia da Covid-19 atingiu em cheio a classe artística, uma vez que teatros e cinemas estão há praticamente um ano sem funcionar sem restrições. “Eu tinha esse outro trabalho, que é a dublagem, sou do teatro, mas nunca parei de dublar. Isso foi o que realmente me amparou, me segurou. Sempre foi assim, na verdade, porque o trabalho no teatro e na ópera não é estável, por isso, é importante o artista buscar outras opções, ainda mais no nosso país, pois não temos apoio [do Governo].” Antes da pandemia, a atriz passou cerca de um ano e meio em cartaz em São Paulo como a protagonista de “O Fantasma da Ópera”, um dos musicais mais famosos da Broadway. Lina contou que quando foi fazer os testes para o espetáculo, não tinha noção da sua dimensão. “Foi um marco na minha carreira. Eu me dediquei muito, minha vida virou a Christine e me sinto orgulhosa de ter segurando uma temporada tão extensa com uma personagem que é difícil vocalmente e fisicamente. Sinto que cresci muito como pessoa e artista”, finalizou.