Da Turquia à Malásia: a aventura global de Kahê, ex-substituto de Love no Verdão

  • Por Luiz V. Andreassa/Jovem Pan
  • 01/02/2016 15h56
Kahê posa com a faixa do Kedah FA

Hoje em dia, Vagner Love não conta com a simpatia do torcedor palmeirense. No entanto, ao se transferir ao CSKA em 2004, ao fim de sua primeira passagem pelo clube, deixou a torcida carente de um goleador. Foi então que apareceu Carlos Eduardo de Souza Floresta, o Kahê. Com quatro gols nos dois primeiros jogos, foi eleito rapidamente (e prematuramente) o substituto de Love. Na sequência, porém, o sucesso não se repetiu, e Kahê sumiu dos radares palmeirenses.

Mais do que a pressão, um problema judicial atrapalhou o atacante. “Na estreia do Brasileirão de 2004, ganhamos de 2 a 1 do Paraná e fiz um gol. No outro jogo, no Palestra Itália, fiz três gols contra o Juventude. Começou aquela coisa de ser substituto (do Love). Mas aí tive um problema na justiça com o Nacional, meu ex-clube, e eu não poderia jogar porque tinham cassado minha liminar. Perdi a sequência de jogos, fiquei um mês e pouco nessa briga, e isso me atrapalhou muito. O Palmeiras precisava de reforços, contratou Osmar, Reinaldo, Ricardinho, e eu perdi espaço”, conta Kahê.

A opção do Verdão foi emprestá-lo à Ponte Preta em 2005. “Fiz um excelente Campeonato Brasileiro. Cheguei a 12 gols no primeiro turno, o Fred era o artilheiro e eu era o vice. Até o primeiro turno ficamos em segundo lugar, atrás do Corinthians (que viria a ser campeão). Foi aí que surgiu a proposta para jogar no Borussia Monchengladbach”, relembra. E assim começou a aventura internacional do então jovem Kahê.

Como toda aventura, a sua teve momentos complicados. “No primeiro ano fomos bem na Bundesliga. No segundo ano começamos muito bem, até a quarta ou quinta rodada éramos líderes, eu tinha feito gols em vitórias. Mas nosso time começou a cair e foi rebaixado”. Outro episódio triste foi durante um jogo contra o Alemannia Aachen. “Fiz dois gols e estava muito bem no jogo. Eu via a reação dos torcedores adversários, falando coisas quando pegava na bola, mas não entendia o que estava acontecendo. Depois do jogo vieram falar comigo para não me preocupar com o que aconteceu, e só depois fui entender que eram atos de racismo. (O caso) Repercutiu na imprensa alemã e até na brasileira”, disse.

A vida de Kahê mudaria novamente após dois anos na Alemanha. Seu novo destino era a Turquia. “Fiquei três anos no Gençlerbirliği, depois no Manisaspor, depois no Denizlispor. Foram oito anos na Turquia, então voltei para o Brasil, joguei pelo Oeste”, relata. “Foi tranquilo jogar por lá, no começo foi um pouco difícil a adaptação, mais tenho uma relação muito boa com o país, até hoje eu falo com algumas pessoas de lá”.

A adaptação está sendo verdadeiramente difícil em seu clube atual, o Kedah FA, da Malásia, um país bem diferente do Brasil. “Cheguei este ano, com um ano de contrato, estamos em pré-temporada. É muito diferente, tem diferença de dez horas no horário. A cidade é muito quente. O bom é que é um lugar de muita beleza, com praias maravilhosas”, conta Kahê, que estranhou o modo como os malásios comem. “Eles não têm muita higiene. Durante uma viagem paramos para comer e, quando olho para o lado, estão comendo com a mão. Arroz, frango, peixe, comem tudo com a mão. Até perdi o apetite (risos)”.

Mesmo tendo saído dos holofotes no Brasil e sendo esquecido pela torcida do Palmeiras, clube pelo qual torce, Kahê se orgulha de sua carreira. “Eu tive uma passagem pelo meu time do coração, que eu ia ao estádio para assistir quando era pequeno. Joguei na Alemanha, contra Kahn, Lucio, Van Der Vaart. Joguei no time do Giovanni Élber, um dos caras mais importantes que encontrei no futebol. Joguei em estádios da Copa do Mundo de 2006. Depois tive oito anos muito bons na Turquia, fiquei por oito temporadas, fiz 75 gols, e hoje com 34 anos jogando estou num país totalmente diferente, ganhando experiência de vida”, comemora o atacante, que ainda acompanha o Verdão. “Agora tenho um grande amigo meu jogando lá, o Rafael Marques, que jogou comigo no Palmeiras, e jogou na Turquia, um cara muito do bem”, conclui Kahê.