Por que o Corinthians quer tanto rebaixar o Grêmio para a Série B?

A expectativa para o jogo é tamanha que a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube paulista, já preparou músicas específicas para provocar os gremistas; Carlos Miguel, goleiro reserva, também cutucou os gaúchos

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2021 10h00
Henrique Barreto/Futura Press/Estadão Conteúdo - 28/11/2021Fábio Santos beija o escudo do Corinthians após marcar seu gol em Itaquera

O Corinthians não pensa em “apenas” assegurar a sua vaga na fase de grupos da próxima Copa Libertadores da América no confronto diante do Grêmio, às 16 horas (de Brasília) deste domingo, 5, na Neo Química Arena, em São Paulo. O objetivo do Timão é também tentar rebaixar o Tricolor para a Série B do Campeonato Brasileiro – uma vitória alvinegra coloca a equipe de Vagner Mancini na segunda divisão de 2022. A expectativa para o jogo é tamanha que a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube paulista, já preparou músicas específicas para provocar os gremistas. Goleiro reserva, Carlos Miguel também deu uma leve cutucada nos gaúchos através das redes sociais. Mas, afinal, por que a agremiação do Parque São Jorge quer tanto a queda do Imortal?

A verdade é que o Corinthians tem um sentimento de revanche diante do Grêmio. Isso porque, em 2007, o Timão acabou sendo rebaixado no Brasileirão, na última rodada, justamente em jogo contra Tricolor, no Olímpico. Na ocasião, a equipe corintiana começou a partida fora da zona de rebaixamento, mas empatou com os gaúchos e acabou sendo ultrapassada pelo Goiás, que ganhou do Internacional no mesmo horário. No estádio, os gremistas fizeram festa, entoaram cânticos provocativos e até se uniram com os colorados para festejar o descenso. Presente naquela partida, o ex-jogador e comentarista da Jovem Pan Vampeta relembrou o episódio.

“Então, o Corinthians já poderia ter se livrado do rebaixamento no jogo no Pacaembu, diante do Vasco, na penúltima rodada. Nós acabamos perdendo de 1 a 0, em uma partida em que o Vasco já não brigava por nada. Depois, no último duelo, diante do Grêmio, eu lembro bem que nós chegamos em uma situação difícil e nos preparamos para a batalha, mas, com menos de um minuto, levamos 1 a 0. Corremos atrás e buscamos o empate, mas isso não servia porque o Goiás estava vencendo o Internacional, em Goiânia. Houve uma vibração tremenda por parte da torcida do Grêmio, até porque era um time grande caindo pela primeira vez. Nós entramos para o vestiário muito tristes. Lembro de um integrante da Gaviões de Fiel que conseguiu entrar no ônibus que levava a gente para o hotel e chegou a agredir o Clodoaldo. Foi um momento muito ruim na história do Corinthians. Agora, o Corinthians pode dar o troco no Grêmio. Essa rivalidade é muito legal no futebol”, recordou.

Quem apanha, não esquece

Catorze anos depois, a torcida do Corinthians prepara uma festa para comemorar o possível terceiro rebaixamento do Grêmio. Além de levar caixões de papelão, a Gaviões da Fiel já encomendou faixas e ensaiou gritos provocativos. Em texto publicado nas redes sociais, a uniformizada também foi taxativa. “No dia mais triste de nossas vidas, estávamos diante desse mesmo adversário — que participou, se orgulhou e tripudiou de nossa tragédia. Assim é o futebol, mas o mundo gira, não é mesmo? Girou! É por isso que a gente conta com vocês para lavarem a nossa alma. Para entrarem em campo com o espírito de luta habitual do corinthiano. Não se trata de uma vingança barata, mas queremos nos mostrar que estamos aqui, mais fortes do que nunca, e que esse passado trágico ficou para trás. NINGUÉM ZOMBA DO ALVINEGRO DO PARQUE SÃO JORGE!”, escreveu a organizada, pedindo aos jogadores um “presente” especial.

A sede por vingança não se restringe aos integrantes das uniformizadas. Entre os torcedores comuns, muitos não esquecem do fatídico rebaixamento de 2007. “A semana antes do rebaixamento foi dura, eu imaginava todos os cenários possíveis. O Corinthians tinha que fazer a parte dele… Lembro de ficar ansioso, vestir minha única camisa do time e pensar em que ‘mandinga’ eu faria para ajudar o time. Peguei um terço e uma vela, fui para casa da minha avó, algo que era tradição nos domingos, estendi a camisa e rezei. Apelei para quem eu podia. Até então, não tinha raiva do Grêmio, mas depois que eu vi a torcida com caixão, fiquei bravo”, recordou o corintiano Mário Henrique, analista de sistemas, de 27 anos.

“Em caso de rebaixamento, vou comemorar bastante! Tem aquele ditado: ‘Quem bate, esquece. Quem apanha, não’. Não é porque a provocação faz parte do futebol que a gente vai esquecer o que eles fizeram. Então, eu espero que o Corinthians dê uma surra no Grêmio. Que pregue o caixão! E pode ser ainda com requintes de crueldade, com gols de Giuliano [ex-Internacional] e Luan [ídolo gremista] para a vingança ser doce”, completou Mário, que apesar da declaração, não considera o Tricolor gaúcho o maior rival fora do Estado de São Paulo. “Essa rivalidade não se compara, por exemplo, com a que temos com o Internacional. Decidimos Brasileirão [2005] e Copa do Brasil [2009] contra eles. A carga de rivalidade com o Colorado é maior até do que Corinthians x Flamengo”, acrescentou.