Edina Alves troca basquete por futebol, derruba barreiras e caminha para fazer história na arbitragem

Primeira mulher a apitar um Mundial de Clubes e um Corinthians x Palmeiras masculinos, árbitra agora sonha com o Catar 2022

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2021 12h00
Van Campos/WPP/Estadão ConteúdoA árbitra Edina Alves Batista recebe os cumprimentos do treinador corintiano Vagner Mancini após o Dérbi

É inegável que a arbitragem ficou muito mais em evidência no futebol depois da chegada do árbitro de vídeo (VAR). Toda rodada é uma reclamação diferente, e elogiar a pessoa com o apito virou quase uma raridade. Mas no caso de Edina Alves Batista, todo elogio é pouco. A paranaense de Goioerê, de 41 anos, vem encantando os admiradores do esporte por sua firmeza, profissionalismo e competência dentro de campo. Primeira mulher a apitar o Derby centenário entre Corinthians e Palmeiras, na segunda rodada do Campeonato Paulista de 2021, Edina começou sua carreira no basquete como ala-armadora, mas migrou para o apito por indicação de um amigo. Ela se formou em educação física em 2001, entrou para o quadro da CBF em 2007, como auxiliar, e depois de alguns anos tornou-se árbitra central. Desde 2016, ostenta a cobiçada bandeira da Fifa em seu uniforme.

O pioneirismo passou a ser, então, uma marca da elogiada juíza. Em 2018, ela foi escalada para apitar dois jogos da Copa América Feminina, no Chile. Na temporada de 2019, após 14 anos, uma mulher voltou a apitar um jogo de futebol da primeira divisão do Campeonato Brasileiro masculino. Edina esteve em campo na partida entre CSA x Goiás. A última tinha sido Silvia Regina, em 2005, numa partida entre Fortaleza e Paysandu. A paranaense ainda colecionou jogos das séries A-1 e A-2 do Paulistão, da Série B do Campeonato Brasileiro e das categorias sub-17 e sub-20 até desbravar a maior competição de futebol do planeta: a Copa do Mundo. Edina esteve com Neuza Back e Tatiane Saciliotti no Mundial de futebol feminino 2019, na França — o primeiro trio de brasileiras na competição. Elas trabalharam juntas na semifinal entre Inglaterra e Estados Unidos.

Em 2020, Edina se consagrou como primeira brasileira a bandeirar um jogo internacional fora do país. Foi na Copa Sul-Americana, na partida entre Peñarol e Velez Sarsfield. A juíza também ganhou mais rodagem nas competições nacionais, apitando dez jogos da Série A do Brasileiro e outros quatro da Série B, além de trabalhar cinco vezes na cabine do VAR. Mas a conquista mais significativa da temporada foi o convite para arbitrar no Mundial de Clubes da Fifa. Ao lado de Neuza Back e da argentina Mariana de Almeida, o trio entrou para a história como o primeiro grupo feminino a comandar uma partida masculina profissional da Fifa, o duelo entre Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e Al Duhail, do Qatar. Até o presidente da entidade, Gianni Infantino, elogiou-a. “Não foi apenas um gesto simbólico. Edina e o seu time de assistentes fizeram um trabalho fantástico e estão aqui por mérito”, destacou.

Mais visibilidade nacional e Copa do Mundo masculina

Segundo a CBF, Edina é a mulher com mais jogos realizados na principal divisão do futebol masculino de seu país  —  número próximo a cem — , mas, ainda assim, não costuma participar de jogos de grande expressão. Geralmente, é escalada para duelos menos expressivos, e isso tem chamado atenção de alguns analistas. Há a ideia de que, se a árbitra não apitar mais partidas relevantes, sua ida à Copa do Mundo de futebol masculino de 2022, no Catar, será inviabilizada. Atualmente, a CBF tem 15 árbitros Fifa em seu quadro, sendo cinco mulheres e dez homens. O mais cotado para assumir a vaga de representante do país no Mundial é Raphael Claus, mas nem todos concordam com a indicação. Após o clássico entre Corinthians e Palmeiras, o comentarista da Jovem Pan, Flavio Prado, disse, durante o programa “Esporte Em Discussão”, que a postura de Edina é muito mais condizente com o Mundial do que a de Claus.

“Eu espero que sejam honestos com a Edina. Ela é a melhor pessoa que apita futebol no Brasil há bastante tempo. E, para a Copa do Mundo, estão fazendo um lobby danado para mandar o Raphael Claus, que, recentemente, decidiu um campeonato para o Flamengo com aquela expulsão do VAR. A Edina, não. No clássico, quando era lance de VAR, ela deixava para o VAR. Não ficou travando o jogo. Então, os caras precisam ser honestos e colocar quem eles têm de melhor. A Fifa a chamou para o Mundial, e ela apitou com tranquilidade. É preciso ser honesto porque o melhor árbitro, independentemente de sexo, se chama Edina Alves Batista. A Ana Paula [de Oliveira, ex-bandeirinha e atual chefe de arbitragem da Federação Paulista de Futebol] dá o maior moral para ela aqui em São Paulo. Lá na CBF, a história é diferente porque querem dar mais espaço para o Raphael Claus ir para a Copa. É justo que ela seja considerada a melhor. Ela segurou a onda em vários jogos”, disse Flávio.

Veja elogios que Edina Alves Batista recebeu na internet por Corinthians 2 x 2 Palmeiras: