Justiça do Rio anula assembleia geral da CBF e vitória de Caboclo em processo eleitoral

Presidentes do Flamengo e da FPF são indicados para liderar novo processo para escolher um presidente para a entidade, que deve ser concluído até o início de 2022

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2021 19h23 - Atualizado em 30/11/2021 19h31
Leandro Lopes/CBF/Divulgação Rogério Caboclo é o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Afastado da presidência da CBF, Caboclo agora vê sua eleição ser anulada

Os desembargadores da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) acataram recurso do Ministério Público (MP) e anularam a Assembleia Geral da CBF realizada em 2017, que modificou a forma de votação para a presidência da entidade. Dessa forma, a eleição que conduziu Rogério Caboclo ao cargo de presidente da CBF em abril de 2018 também está anulada e um novo processo eleitoral deve se iniciar, contando com o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, como interventores para liderá-lo. Ainda cabe recurso, e a CBF deve apresentar um em breve.

Landim e Bastos terão 30 dias para organizar uma nova assembleia, que definirá o peso dos votos dos eleitores (federações estaduais e clubes da primeira e segunda divisões). Em sequência, uma nova eleição deve ser convocada. Os dois não terão ingerência sobre a administração da entidade, que continua sob o comando interino de Ednaldo Rodrigues, ex-presidente da Federação Baiana de Futebol. Rodrigues comanda a CBF desde que Rogério Caboclo foi afastado pelo comitê disciplinar da entidade por assédio moral e sexual a funcionários.

Na assembleia geral de 2017, agora anulada, a CBF e os presidentes de federações estaduais mudaram o peso das votações: o voto das 27 federações teria peso 3, enquanto o de clubes da Série A teria peso 2 e da série B, peso 1 – na prática, as federações poderiam eleger um presidente sem nenhum voto dos clubes, que não participaram da assembleia. O MP acionou a Justiça, alegando que a eleição na entidade não seguia regras democráticas previstas na lei; a CBF se defendeu dizendo que, por ser uma entidade privada, tem autonomia de organização e sua eleição não pode ser rejeitada judicialmente. Caboclo foi candidato único em 2018 e foi eleito com todos os votos de clubes e federações, exceto Flamengo, que se absteve, e Athletico-PR e Corinthians, que votaram em branco.