Operação contra máfia de apostas cumpre 3 mandados de prisão preventiva e coloca jogos do Brasileirão sob suspeita

De acordo com Ministério Público de Goiás, há suspeitas de que o grupo tenha atuado em pelo menos cinco jogos da Série A de 2022, bem como em cinco partidas de Estaduais deste ano

  • Por Jovem Pan
  • 18/04/2023 12h59 - Atualizado em 18/04/2023 13h02
Reprodução/MPGO MP-GO cumprindo mandado de busca durante o desdobramento da 'Operação Penalidade Máxima' MP-GO cumprindo mandado de busca durante o desdobramento da 'Operação Penalidade Máxima'

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) deflagrou nesta terça-feira, 18, a segunda fase da “Operação Penalidade Máxima”, que visa investigar a atuação de um grupo criminoso com atuação especializada na manipulação de resultados esportivos de jogos de futebol profissional. De acordo com o órgão, há suspeitas de que a máfia tenha atuado em pelo menos cinco jogos da Série A do Campeonato Brasileiro de 2022, bem como em cinco partidas de Estaduais, entre eles o Goiano, Gaúcho, Mato-Grossense e Paulista, todos desta temporada. Na nova fase da operação, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão em 16 municípios de seis estados. Os mandados estão sendo cumpridos em Goianira (GO), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Pelotas (RS), Santa Maria (RS), Erechim (RS), Chapecó (SC), Tubarão (SC), Bragança Paulista (SP), Guarulhos (SP), Santo André (SP), Santana do Parnaíba (SP), Santos (SP), Taubaté (SP) e Presidente Venceslau (SP).

Segundo a investigação, o grupo criminoso atuou mediante cooptação de jogadores profissionais, com oferta de valores entre R$ 50 mil a R$ 100 mil aos atletas para que eles cometessem eventos determinados nos jogos – as manipulações eram diversas e visavam, por exemplo, assegurar a punição a determinado atleta por cartão amarelo, vermelho, cometimento de penalidade máxima, além de assegurar número de escanteios durante a partida e, até mesmo, o placar de derrota de determinado time no intervalo do jogo. Há indícios de que as condutas previamente solicitadas aos jogadores visam possibilitar que os investigados consigam grandes lucros em apostas realizadas em sites de casas esportivas, utilizando, ainda, contas cadastradas em nome de terceiros para aumentar os lucros. Um dos jogadores investigados é o zagueiro Victor Ramos, da Chapecoense, que foi alvo de busca e apreensão. A reportagem do Grupo Jovem Pan procurou o atleta através das redes sociais, mas ainda não obteve um retorno. Caso o defensor responda, a matéria será atualizada. Já o clube catarinense manifestou apoio ao atleta. Veja a nota na íntegra abaixo.

Na primeira fase da “Operação Penalidade Máxima”, o MP-GO apurou que o grupo criminoso atuou em três jogos da Série B do Brasileiro 2022, sendo eles: Vila Nova 0 x 0 Sport, Criciúma 2 x 0 Tombense e Sampaio Corrêa 2 x 1 Londrina. Segundo o promotor de Justiça Fernando Martins Cesconetto, o esquema contou com a participação de jogadores, que deveriam cometer pênaltis no primeiro tempo das partidas. Os atletas envolvidos são Romário (ex-Vila Nova), Matheusinho (ex-Sampaio Corrêa), Joseph (Tombense) e Gabriel Domingos (Vila Nova). O Gaeco apurou que eles receberam R$ 10 mil de adiantamento para a prática ilícita. Caso o combinado fosse cumprido, eles receberiam mais R$ 140 mil. Já o lucro esperado para os apostadores variava de R$ 500 mil a R$ 2 milhões. A operação foi deflagrada em fevereiro deste ano e resultou no oferecimento de denúncia, recebida pelo Poder Judiciário, com imputação dos crimes de integrar organização criminosa e corrupção em âmbito desportivo. Ao todo, 14 pessoas viraram réus, sendo seis integrantes da máfia de apostas.

Confira a nota da Chapecoense abaixo:

A Associação Chapecoense de Futebol vem a público a fim de reiterar o seu posicionamento totalmente contrário a qualquer tipo de situação que envolva a manipulação de resultados de jogos. O clube entende que tais condições são totalmente antidesportivas, ferindo os valores éticos e morais da modalidade.

A respeito da “Operação Penalidade Máxima” e do cumprimento do mandado relacionado à ela em Chapecó – envolvendo um jogador do clube – a agremiação alviverde reforça o seu apoio e, principalmente, a confiança na integridade profissional do atleta.

Por fim, tendo em vista as investigações, o clube destaca o seu compromisso em colaborar totalmente com as autoridades e oferecer todo o suporte e informações necessárias na apuração e esclarecimento do caso.

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