‘Mattos da era Parmalat’ não demitiria Felipão e critica ‘excesso de contratações’ do Palmeiras

  • Por Jovem Pan
  • 06/09/2019 17h15
DivulgaçãoHoje dirigente da Chapecoense, José Carlos Brunoro foi o executivo de futebol do Palmeiras durante a era Parmalat

Se, hoje, Alexandre Mattos é o responsável por comandar o futebol do Palmeiras e gerir o milionário elenco montado também com a ajuda da Crefisa, nos anos 1990 tal função cabia a José Carlos Brunoro. Diretor de esportes da Parmalat durante a parceria entre a empresa e o clube alviverde, o executivo de 69 anos, que, curiosamente, foi o antecessor do atual diretor de futebol palmeirense, concedeu entrevista exclusiva ao repórter Pedro Marques, do Grupo Jovem Pan, e analisou o conturbado momento vivido pelo Verdão.

Franco, Brunoro, que atualmente trabalha como consultor estratégico da Chapecoense, disse que não demitiria Luiz Felipe Scolari, classificou como “perigosa” a entrada de Leila Pereira no cenário político do Palmeiras e criticou o excesso de contratações da gestão Alexandre Mattos.

Confira, abaixo, as principais partes da entrevista, que vai ao ar no próximo domingo, no Seleção Jovem Pan:

Como você vê o atual e conturbado momento do Palmeiras?

“Eu vejo com uma certa preocupação, porque é um clube que está investindo bastante dinheiro, e os resultados não vêm. É uma situação complicada. Geralmente, quando acontece isso, a torcida começa a achar culpados. Mas essa situação, a meu ver, será contornada, pela qualidade das pessoas que estão no clube. Espero que se solucione.”

Você teria demitido Felipão?

“Eu não demitiria o Felipão, até porque não acho que ele foi o culpado dos problemas. O Palmeiras, na minha visão, tem um elenco muito grande, e o Felipão tinha que fazer o elenco rodar para manter um ambiente legal. Isso prejudicou o conjunto da equipe. Agora, quando ele teria tempo para trabalhar com mais calma no Brasileiro, acho que teria condições de fazer um bom trabalho.”

O que você pensa sobre a gestão Alexandre Mattos?

“É uma função difícil… Eu não gostaria de estar analisando isso, até porque às vezes também faço esse tipo de função. Porém, a única ressalva que eu faço é quanto ao exagero de contratações. Um time como o Palmeiras não necessita de tantas contratações. Já tem um time-base e, aí, precisaria apenas trazer soluções pontuais. Há um elenco com várias opções por posição, e algumas posições estão até inchadas. Nessa situação, é um pouco mais difícil de controlar o elenco, porque sempre fica todo mundo na expectativa de jogar. E, quando as coisas não vão bem, sempre surge algum tipo de reação. Precisa ter uma boa administração de vestiário.”

Qual a sua opinião sobre Leila Pereira e a Crefisa?

“Eu não posso opinar sobre a Leila Pereira, porque não a conheço. Só pode ser uma grande empresária, pelo crescimento da Crefisa. Agora… Eu acho que a Crefisa teria de definir um pouco mais essa atuação em relação ao Palmeiras. Ela pode exercer um projeto de co-gestão, como foi feito com a Parmalat, e, aí, seria uma coisa oficial… Essas contratações que passam por ela e pelo Alexandre (Mattos) seriam feitas muito em conjunto com o clube. A única ressalva que eu faço à Leila Pereira é quanto a essa situação política dela com uma situação de empresária. Essa mistura eu acho um pouco perigosa, porque ela passa a ser patrocinadora e mandatária. Isso é preocupante, porque ela faz parte do Conselho Deliberativo, explicitamente já é candidata à presidência… Eu acho que deveria haver um equilíbrio nessa relação, o que não é difícil de fazer.”