‘Eu deveria ter desistido muito antes de Tóquio’, diz Simone Biles

Atleta revelou que os abusos cometidos pelo médico da Federação Norte-Americana de Ginástica, Larry Nassar, causaram um desgaste mental grande demais

  • Por Jovem Pan
  • 28/09/2021 12h01 - Atualizado em 28/09/2021 19h19
YURI HIROSHI/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDOPor problemas de ‘twisties’, fenômeno da ginástica em que a mente e o corpo não se conectam, a atleta se retirou de cinco provas em Tóquio

A ginasta Simone Biles acredita que deveria ter desistido dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 antes mesmo do evento começar. Por problemas de ‘twisties’, fenômeno da ginástica em que a mente e o corpo não se conectam, a atleta se retirou de cinco provas e desistiu no meio da disputa por equipes para cuidar de sua saúde mental. Apesar de seus problemas pessoais, Simone ainda garantiu uma medalha de prata e uma de bronze. Em entrevista ao New York, a atleta revelou que os abusos cometidos pelo médico da Federação Norte-Americana de Ginástica, Larry Nassar, causaram um desgaste mental muito grande. “Se você olhasse tudo o que passei nos últimos sete anos, eu nunca deveria ter feito parte de outro time olímpico. Eu deveria ter desistido muito antes de Tóquio, quando Larry Nassar esteve na mídia por dois anos. Foi demais. Mas eu não o deixaria tirar de mim algo pelo qual trabalhei desde os 6 anos de idade. Eu não iria deixá-lo tirar essa alegria de mim. Então, eu aguentei até enquanto minha mente e meu corpo permitiram”, desabafou Simone.

A nova realidade imposta pela pandemia do coronavírus – com testes diários para detecção da Covid-19 e a ausência de público e familiares nas arquibancadas –  também teve impacto sobre a sua saúde mental. “Minha perspectiva nunca mudou tão rapidamente de querer estar em um pódio para querer poder ir para casa, sozinha, sem muletas”, confessou. “Fiquei cada vez mais nervosa. Não me sentia tão confiante como deveria com tanto treinamento quanto tivemos.” Ela ainda afirmou que não voltaria atrás se pudesse voltar no passado. “Eu não mudaria nada porque tudo acontece por um motivo. E aprendi muito sobre mim mesma — coragem, resiliência, como dizer não e falar por si mesma”, afirmou.