Skate surge como a nova paixão nacional em 2021; relembre o ano dos esportes olímpicos

Estreando nos Jogos, a modalidade explodiu no país com Rayssa Leal e companhia; ano ainda teve medalha inédita na ginástica artística, ‘Malvadão’ do atletismo e decepção no vôlei

  • Por Jovem Pan
  • 30/12/2021 09h15
Reprodução/Instagram/rayssalealsk8/26.07.2021 Rayssa Leal levantando um buquê de flores e com a medalha de prata na outra mão Em sua primeira participação nas Olimpíadas, skate encantou os brasileiros

Dois mil e vinte um ficará para a história por diversas razões. Em ano ainda marcado pela pandemia de Covid-19, mas com os avanços da vacinação, o mundo acompanhou os atletas de alto nível na Olimpíada de Tóquio. O alcance foi tamanho que o Brasil registrou diversos recordes de audiência em dias de transmissões. O Grupo Globo, detentor dos direitos de transmissão da Tóquio 2020, liderou o ranking da TV paga no mês de julho e também teve sucesso no streaming, que usou pela primeira vez para exibir as modalidades. Essa proximidade da televisão fez o Brasil se apaixonar pelos esportes olímpicos e vibrar mais com um em específico: o skate. O motivo? Rayssa Leal, a “Fadinha”, de apenas 13 anos que, com seu carisma e talento, conquistou o país. Ela deu show na pista e ficou com a medalha de prata no skate street feminino. As transmissões com Karen Jonz também se mostraram certeiras em razão do tom descontraído que conquistou os fãs. Entre os homens, Kelvin Hoefler ficou com a medalha de prata no street. Conhecido do público, Pedro Barros também foi prata no skate park masculino, que só não teve brasileiro no pódio feminino. Dora Varella alcançou o melhor resultado do país, a sétima colocação.

Outra modalidade que fez a alegria dos brasileiros foi o surfe. Em alta desde 2014, quando Gabriel Medina ganhou seu primeiro título mundial, a disputa deste ano teve um tempero a mais. Medina e sua esposa Yasmin Brunet se envolveram em polêmica com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que não autorizou a ida da atriz para o Japão —  havia restrições de embarque por causa da pandemia. Apesar das polêmicas, o Brasil abraçou o paulista de 27 anos, que foi eliminado na semifinal, para o japonês Kanoa Igarashi, em meio a discussões sobre as notas dos jurados. No fim, Ítalo Ferreira foi o grande campeão da primeira participação do surfe no quadro olímpico. Meses depois da queda no Japão, Medina se reergueu e conquistou seu tricampeonato mundial, o primeiro brasileiro a alcançar o feito. A ginástica artística foi outro esporte que encantou o Brasil pela graciosidade de Rebeca Andrade. A paulista de 22 anos levou o ouro no salto e a prata no individual geral, se tornando a primeira brasileira a campeã olímpica na modalidade e a primeira a ganhar duas medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos.

“Chama o teu vulgo Malvadão”

O atletismo foi mais uma modalidade que arrebatou corações. Não tanto pelos resultados, mas pelo carisma de seus competidores. Alison “Piu” dos Santos fez história nos 400 m com barreiras masculino e, aos 21 anos, levou a medalha de prata para casa com direito a recorde sul-americano. Animado e simpático, o corredor popularizou nas pistas o termo “Malvadão”, da música de MC Jhenny, e virou ídolo. Outro que também conquistou os brasileiros foi Darlan Romani, do arremesso de peso. Sem medo de se declarar para a esposa (o que lhe rendeu o apelido Darlan Romântico) e retratado como “paizão” pelo cuidado com a filha, o atleta ganhou também a alcunha Senhor Incrível, do filme “Os Incríveis”, e viu seus fãs se multiplicarem. Terminou sua participação em Tóquio com um honroso quarto lugar. O atletismo, aliás, só teve duas medalhas. Além de Piu, Thiago Braz levou a prata no salto com vara.

Mas nem tudo são flores …

Apesar das conquistas inéditas e emocionantes que o Brasil teve na Tóquio 2020, algumas modalidades que começaram os Jogos como “queridinhas” decepcionaram. O vôlei masculino foi a principal. Defendendo o título, a equipe comandada por Renan Dal Zotto fez uma primeira fase quase perfeita, perdendo apenas para o Comitê Olímpico Russo na terceira rodada. Nas quartas de final, em um jogo tranquilo, a seleção venceu o Japão por 3 a 0. Na semifinal, novamente, contra os russos, veio o desconsolo. Depois de vencer o primeiro set, perdeu o segundo e viu as coisas ruírem no terceiro. Chegou a abrir 20/13 no placar, mas tomou a virada e acabou perdendo o jogo. Na disputa do terceiro lugar, visivelmente abalados, os meninos do Brasil foram derrotados pela Argentina por 3 a 2. A participação decepcionante desencadeou uma reformulação. Wallace se aposentou da seleção. Já Maurício Souza ouviu de Dal Zotto que não será mais convocado após se envolver em uma discussão pública com Douglas Souza por causa da sexualidade de um personagem de quadrinhos. Além de ser afastado compulsoriamente do time nacional, Maurício foi demitido do seu clube, o Minas Tênis.

No feminino, o cenário era diferente. Desacreditadas desde o início da competição, as meninas de José Roberto Guimarães lutaram até o fim e ficaram com a prata. Na primeira fase, o Brasil passou em primeiro no Grupo A, com cinco vitórias em cinco jogos. Nas quartas de final, venceram a Rússia por 3 a 1. Na semi, fizeram 3 a 0 na Coreia do Sul, com facilidade. A disputa pelo ouro, no entanto, foi difícil. Contra os Estados Unidos, a seleção brasileira não conseguiu encaixar um bom jogo e perdeu de 3 a 0. Apesar da derrota, a medalha foi muito comemorado pelas atletas. Já o vôlei de praia saiu sem pódio pela primeira vez desde 1996.

O judô também foi uma categoria decepcionante em Tóquio. A delegação brasileira teve 13 atletas competindo e apenas duas medalhas, de bronze: a de Mayra Aguiar, na categoria 78 kg feminino, e a de Daniel Cargnin, na categoria 66 kg masculino. Polêmicas de arbitragem também rondaram as lutas brasileiras no Japão, dando muita discussão entre especialistas e torcedores. Com um resultado considerado ruim, a CBJ anunciou no mês de dezembro mudanças na equipe para o ciclo de Paris 2024. A campeã olímpica Sarah Menezes assumiu como treinadora da seleção feminina, enquanto Antônio Carlos “Kiko” Pereira será o comandante do masculino.

Tradicionalmente a modalidade que mais traz medalhas ao país, a natação também não foi bem. Com 38 oportunidades de pódios em diversas provas, o Brasil conquistou apenas dois bronzes, com Bruno Fratus e Fernando Scheffer. Ana Marcela Cunha, competidora na maratona aquática, foi quem salvou e levou o ouro inédito. A medalha de Fratus teve uma grande repercussão pela emoção do nadador e por ele ter relembrado sua entrevista de 2016 quando, em quinto lugar, respondeu ironicamente à repórter do SporTV que estava “felizão” pelo resultado.