Tóquio-2020: Diretor da cerimônia de abertura deixa o cargo na véspera do evento; entenda 

Veja como um comentário sobre o Holocausto tirou o diretor da cerimônia inaugural dos Jogos Olímpicos de Tóquio; presidente do Comitê Organizador fala em ‘constrangimento para o povo japonês’

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2021 04h56
Reprodução/InstagramKentaro Kobayashi, diretor da cerimônia de abertura de Tóquio-2020, pediu demissão

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio informou nesta quinta-feira, 22, que o diretor da cerimônia de abertura da Tóquio-2020 pediu demissão na véspera do evento, marcado para esta sexta-feira, às 20 horas (local) ou 8 horas (de Brasília). O motivo da saída de Kentaro Kobayashi foi uma reportagem do periódico japonês “Mainichi Shimbun”, que trouxe à tona antigos comentários do profissional fazendo piadas sobre o Holocausto – assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em um deles, datado em 1998, ele disse “vamos brincar de Holocausto”, causando a ira da comunidade judaica.

“Kobayashi disse que, no passado, fez coisas não apropriadas na época. Em seu pedido de demissão, ele disse: ‘De fato quando eu olho pra essa situação eu compreendo que não tenha feito rir muita gente fiz troça de fatos históricos. Hoje, sei que devo apresentar minhas desculpas, muitas pessoas se sentiram incomodadas.’ Ele pediu demissão, e aceitamos esse pedido. Não conseguimos investigar todo o passado das pessoas envolvidas com os Jogos. A responsabilidade final está sobre mim. Não queremos nenhum constrangimento para o povo japonês”, disse Seiko Hashimoto, presidente do Comitê Organizador.

“Entendo minha responsabilidade, houve uma série de escândalos e assumo as responsabilidades. Amanhã teremos a cerimônia de abertura e terei que assumir minha responsabilidade até o final, para não decepcionar as pessoas. Gostaria que as pessoas entendessem a importância de receber os Jogos. Mas entendo as pessoas que nem sequer querem assistir a cerimônia de abertura. Tomaremos todas as medidas necessárias e contamos com a compreensão de todos. Faremos o possível para resolver esse inconveniente”, completou a japonesa, que já precisou lidar, recentemente, como escândalo envolvendo o compositor Keigo Oyamada, cuja música deveria ser usada na cerimônia. Ele foi forçado a renunciar por ter praticado “bullying” com pessoas com deficiência, quando era estudante. Em entrevistas, ele se gabou das intimidações que provocou em seus colegas.